EDITORIAL: Casa Brasil

Em Aracaju, onde a população de baixa foi empurrada para as beiras da cidade, 17% da população mora em favelas

O programa Reforma Casa Brasil elevou o teto de renda familiar atendido pelo programa, de até R$ 13 mil, pode induzir o incauto a erro. Trata-se, aqui, do Brasil do puxadinho.
Criado no final do ano passado, o Reforma Casa Brasil tem como foco financiar melhorias em residências já existentes. A iniciativa parte do entendimento de que o déficit habitacional no país não se limita à falta de moradias, mas também às condições inadequadas de muitas residências.
De fato, o Brasil é um país marcado por um déficit habitacional estimado em quase 8 milhões de unidades, em cálculo da Fundação Getúlio Vargas. Nas cidades de grande e até de médio porte, marcadas por um crescimento desordenado, as habitações improvisadas de grandes contingentes populacionais foram naturalizadas, incorporadas à paisagem urbana.
Segundo o IBGE, o Brasil tem 16 milhões de cidadãos com residência em favelas e comunidades urbanas. Isso representa 8,1% do total de 203 milhões de habitantes no país, ou seja, de cada 100 pessoas, oito vivem nesses locais.
Em Aracaju, onde a população de baixa foi empurrada para as beiras da cidade, 17% da população mora em favelas. É para esse contingente imenso de cidadãos que o poder público tem de olhar.
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