O tempo passa e o problema de abastecimento de água tratada em Sergipe só se torna mais grave
Cobrada pela população sergipana, maltratada pela maior crise de abastecimento da história de Sergipe, a Iguá Saneamento resolveu fazer como o governo do estado, e terceiriza a própria responsabilidade.
Segundo a Iguá, “terceiros” teriam sabotado a rede de distribuição de água potável na capital sergipana. Nas redes sociais, a alegação foi prontamente ridicularizada. No mundo real, por assim dizer, a polícia não constatou qualquer indício de crime.
O setor de inteligência da Polícia Civil não constatou possível dano estrutural contra uma adutora de 800 milímetros que abastece a Estação Elevatória de Água Tratada 3 (EEAT 3), localizada no bairro Santa Maria, zona Sul de Aracaju. Diante da pressão popular, a direção da Iguá Saneamento esteve no local e defendeu a possibilidade de ação criminosa proposital – denominando-o de sabotagem, com a finalidade de impulsionar as críticas contra o governo de Sergipe e a própria empresa concessionária.
A alegação da Iguá soa, assim, como conversa pra boi dormir. Em primeiro lugar, a crise de abastecimento não é pontual, tem como marco inicial a privatização da Deso. Depois, ignora a própria responsabilidade sobre a infraestrutura de distribuição de água. É preciso zelar pela segurança do sistema que lhe serve à exploração.
Alheios a qualquer alegação, os fatos saltam à vista, no entanto, inegáveis: o tempo passa e o problema de abastecimento de água tratada em Sergipe só se torna mais grave. Ao contrário da promessa do governador Fabio Mitidieri, a privatização a Deso não desatou os gargalos da distribuição.


