As catracas sobrepostas, uma sobre a outra, mostram a natureza perversa da relação entre empresas e usuários
As empresas responsáveis pelo transporte coletivo de passageiros em Aracaju precisam entender que servem ao cidadão. Infelizmente, a postura observada no dia a dia da população é diversa, muito diferente. E as catracas sobrepostas, uma sobre a outra, sob o pretexto de evitar que os usuários façam uso do serviço sem arcar com o ônus da passagem, declaram a natureza perversa dessa relação.
A medida adotada pelas empresas não é novidade na capital sergipana. No ano de 2023, durante a gestão do ex-prefeito Edvaldo Nogueira, a Prefeitura de Aracaju informou em nota que a operação dos ônibus estava comprometida, especialmente, aos domingos, devido ao alto índice de evasão de usuários e a insegurança que ela causa aos motoristas e passageiros.
Naquele momento a gestão alegou que, sobretudo nas linhas Barra dos Coqueiros/Centro, Atalaia Nova/Mercado, Litoral Norte/Mercado e Barra dos Coqueiros/Mercado foram registrados, nos últimos meses de abril e maio, 4.775 pulos de catraca. Foi alegado ainda que as catracas elevadas já faziam parte do cotidiano de usuários do transporte público em diversas capitais brasileiras, a exemplo de Recife (PE) e Maceió (AL), cuja implantação também se deu por motivos de evasão e segurança.
Felizmente, há órgãos de controle. Pelos próximos 29 dias todos os veículos do transporte público coletivo de Aracaju e região metropolitana, devem apresentar respeito integral às especificações da NBR 15570 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A decisão foi deferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE), após o Ministério Público do Estado (MPSE) denunciar a instalação de catraca duplas, causa de constrangimentos aos usuários.
O feito foi chamado à ordem, portanto. Que o absurdo não se repita.


