A operação carro-pipa do governador Fabio Mitidieri não dará fim ao sofrimento dos sergipanos castigados pela estiagem prolongada
É sabido que na seca de 1980, ainda durante o governo militar, o presidente João Figueiredo admitiu a sua impotência diante da estiagem prolongada e se resignou ao primeiro recurso do sertanejo. Segundo ele, restava rezar.
Assim tem sido, ao longo dos anos. Medidas paliativas tentam remediar o flagelo, mas o único conforto realmente significativo chega dos céus.
Em Sergipe, infelizmente, o consolo quase sempre demora. Neste 2026, ano de eleições, entretanto, o governo estadual vai colocar a mão no bolso para evitar mal-estar. Já há a previsão de gastar R$ 8,8 milhões com caminhões-pipa.
O governo Mitidieri está ciente da gravidade da seca no estado, tanto que fez estardalhaço, ano passado, com o lançamento de uma tal Caravana da Água. Mas o credenciamento e contratação de alguns pipeiros, a fim de socorrer os municípios em situação de emergência, não salva a população do sofrimento de todos os anos.
De nada adianta batizar com um novo nome práticas surradas, como esta de enviar um tonel de água até os confins de Judas, a fim de mitigar o sofrimento derivado da seca. Trata-se de medida estritamente paliativa, sem o condão de transformar a realidade. A operação carro-pipa do governador Fabio Mitidieri não dará fim ao sofrimento dos sergipanos castigados pela estiagem prolongada.


