Um Projeto de Lei visando a integração de toda a força policial, a fim de melhor atacar o problema, já foi enviado ao Congresso
A soberania nacional se transformou no principal ponto de inflexão ideológica no Brasil. À direita, prega-se alinhamento com os Estados Unidos, sob qualquer circunstância. À esquerda, ao contrário, defende-se a autonomia do governo com unhas e dentes.
O debate vem se impondo, independente da matéria em questão. Desde a economia, no rastro das sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, até a segurança pública.
Esta matéria, aliás, é das mais delicadas, tendo em vista o poderio bélico e financeiro do crime organizado, com raízes profundas em territórios negligenciados pelo poder público, infiltrado também na estrutura administrativa, em todas as esferas da República.
Até a classificação das facções criminosas é motivo de cizânia. Para os governadores filiados a partidos de direita, é necessário atribuir ao Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, por exemplo, o status de organizações narcoterroristas, como gostaria Trump. Para o governo federal, ao contrário, qualquer mudança em tal sentido abriria brechas para ingerência externa e novas sanções.
O combate ao crime organizado, por meio de sua asfixia econômica, recebe atenção especial do governo Lula, como se nota em diversas operações da Polícia Federal. Um Projeto de Lei visando a integração de toda a força policial, a fim de melhor atacar o problema, já foi enviado ao Congresso. A contaminação do debate por forças alheias ao interesse público, no entanto, contamina com viés ideológico toda a discussão.
Enquanto isso, do outro lado, o crime prospera, fatura alto, ameaça, delinque e corrompe impunemente, com a mesma competência de uma multinacional.


