A convocação de manifestações populares em cenário de pandemia beira a insensatez. De- pois de o presidente Jair Bolsonaro reconhecer a gravidade da crise mundial, com o Covid-19 já mordendo os seus calcanhares, e cancelar o ato de contornos golpistas marcado para hoje, foi a vez de a oposição ceder à responsabilidade. Nos dois casos, lá e cá, trata-se de um inesperado e desejável efeito colateral da crise.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) e as centrais sindicais decidiram cancelar uma manifestação de oposição ao governo Jair Bolsonaro prevista para a próxima quarta-feira. Greves e paralisações previstas para a data, porém, estão mantidas, assim como panfletagem em locais de trabalho. A UNE também faz um apelo para que as universidades discutam a suspensão das aulas, como já fizeram Unicamp e UnB. E exalta a importância da pesquisa e dos cientistas no país.
A crise é séria, com repercussão na saúde da população mundial e também na economia. Neste sentido, as projeções mais otimistas já admitem a possibilidade de recessão. O ministro Paulo Guedes ainda vacila em adotar medidas de impacto imediato. O flerte com o abismo preocupa.
Em Sergipe, por enquanto, o coronavírus é só ameaça. Nem por isso os sergipanos estão a salvo das consequências previsíveis em um cenário de maiores dificuldades econômicas. Se antes, com a tímida recuperação dos últimos meses, a geração de emprego em renda deixou muito a desejar, agora o cenário que se vislumbra é francamente dramático.


