Entre fachadas e prioridades: Moana Valadares

 * Aryadny S

A recente manifestação da vereadora Moana Valadares, da Câmara Municipal de Aracaju, ao questionar as cores vermelho e amarelo na fachada de uma escola pública, reacende um debate essencial sobre prioridades na gestão e fiscalização da educação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar sugeriu que a combinação das cores poderia representar um suposto incentivo ideológico. A declaração, no entanto, convida a uma reflexão mais profunda: diante dos inúmeros desafios enfrentados pela educação pública, como infraestrutura adequada, merenda de qualidade, oferta de material didático, valorização dos professores e condições dignas nas salas de aula, a cor da fachada deve realmente ocupar o centro das preocupações?
Escolas existem para ensinar, formar cidadãos críticos e preparar crianças e adolescentes para o futuro. O foco da fiscalização do poder público precisa estar na garantia de aprendizado efetivo, no acompanhamento do desempenho escolar, na atualização dos livros, na conservação das carteiras e na manutenção de ambientes limpos e seguros. São esses fatores que impactam diretamente a vida dos estudantes e suas oportunidades.
Cores, por si só, não doutrinam. Fachadas não substituem conteúdo pedagógico. A ideia de que uma combinação cromática seja capaz de influenciar ideologicamente alunos desconsidera o papel central da família, dos educadores e do próprio pensamento crítico desenvolvido em sala de aula. Educação se constrói com diálogo, conteúdo, metodologia e compromisso, não com teorias sobre tinta e pigmentação.
A política exige responsabilidade, equilíbrio e senso de prioridade. Questionar cores pode gerar engajamento nas redes sociais, mas não enfrenta os problemas estruturais que afetam diariamente estudantes e profissionais da educação. A população espera de seus representantes fiscalização eficiente, propostas concretas e ações que resultem em melhorias reais.
Em tempos de tantos desafios educacionais, a pergunta que permanece é simples e necessária: quais são, de fato, as prioridades que devem nortear o mandato de quem foi eleito para cuidar do interesse público?

* Aryadny S é ativista social, comunicadora e escritora

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