Pressionado por críticas as mais pesadas, proferidas por educadores e estudantes da rede pública de ensino, o governo Luiz Inácio Lula da Silva vai suspender a implementação do novo ensino médio. Espera, assim, ganhar algum tempo. Apesar de acenar com uma verdadeira revolução, a reforma da grade curricular realizada em 2017, com aumento da carga horária cumprida em sala de aula, pouco entregou até agora. E passa longe de consenso.
Se há méritos na reforma, a exemplo da flexibilização da grade curricular, com a possibilidade de adaptação às diversas realidades regionais do Brasil, a forma como as mudanças foram impostas deixou um travo amargo no seio dos movimentos sociais ligados à educação. Faltou disposição para o diálogo.
O embate sobre a Reforma do Ensino Médio é emblemático de como se dá o debate em torno das políticas públicas no país. Verdade é que o então presidente Michel Temer tinha o Congresso Nacional no bolso e fez tudo como bem entendeu. A sociedade civil organizada mobiliza multidões, berra aos quatro ventos, desde o primeiro momento. Mas de pouco adiantou.
Certo é que não dá para ignorar um problema tão grave em área de influência estratégica como a educação. Também não é admissível que se façam experiências sem o amparo de um diagnóstico detalhado, após aprofundado debate. O Novo Ensino Médio, com as digitais do governo Temer, no entanto, não passou disso: uma breve experiência. Segundo os professores na linha de frente das escolas, uma experiência desastrosa.


