FIGURINHA CARIMBADA

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Tendo cumprido minhas obrigações na UFS, fui tomar um café com minha esposa no shopping Riomar, em Aracaju-SE. Uma cena me tomou de assalto e por muito pouco minha refeição esfriou. Pessoas de todas as idades, em volta de mesas improvisadas em frente à livraria Escariz, me faziam voltar num tempo distante. É bem verdade que na minha época, aquela prática também já existia, predominando o famoso “bafo”, a qual não tinha a menor destreza, perdendo meus cromos repetidos.
Mesmo com limitações financeiras na infância e na adolescência, com o pouco que ganhava com mesadas, trocos dos adultos e o trabalho como entregador de pãozinho de queijo, eu, geralmente, comprava times de botão, revistinhas e principalmente álbuns de figurinhas. Colecionei diversos, sem conseguir completar a sua maioria. Tive vários e só conservo uma pequena raridade deles, em particular, os de futebol.
Tenho ainda em meu diminuto acervo, pois me faltavam a educação e a consciência patrimonial, cinco figurinhas dos Grandes Jogos do chiclete PingPong, todas elas do Vasco da Gama. Estas são uma lembrança de meu saudoso pai, que me dava da sobra da compra do cigarro Hollywood. São figurinhas grandes e colecionáveis, com foto na frente (de jogadores ou jogos) e informações no verso, medindo 9 x 7 cm, que eu “fiz o favor” de recortar as bordas. Como eu lamento até hoje!
Meu álbum mais antigo é o do Campeonato Brasileiro de 1989, à época com 22 times, da editora Abril em parceira com a revista Placar. Com 50 páginas e apresentação do jornalista Juca Kfouri. Do time do São Paulo, só ficou faltando a figurinha de número 70, de Vizolli, que era volante. Do Vasco da Gama, também só ficou faltando uma única: a 115, do atacante Tato. Entre as figurinhas “Seleção Placar”: Bebeto e Mazinho. Naquele ano, o time da colina se sagrou bicampeão, exatamente, em cima do São Paulo, numa final no Morumbi, com gol de Sorato.
No ano seguinte, na empolgação do Vasco, tornei a colecionar este mesmo álbum. Naquele ano, o Corinthians foi o campeão, com um timaço liderado por Neto. O Vasco seguia tendo um grande elenco, incluindo o retorno ao Brasil de Roberto Dinamite, figurinha de número 120, a mais cobiçada pelos vascaínos. Naquele mesmo ano, passei a me interessar pelos álbuns dos mundiais. Cheguei a colecionar o de 1986, mas não sobreviveu às mudanças de casa. Hoje, só tenho o álbum do Mundial de 1990.
Apesar do péssimo desempenho do Brasil, aquele álbum já trazia a parceria da Panini com a editora Abril. Um grande caderno de 48 páginas, dos qual tenho a alegria de tê-lo quase todo preenchido, incluindo a Seleção Brasileira de Futebol, cabeça de chave do grupo C, com jogadores de alto nível, a exemplo de Tafarel, Branco, Careca e Romário.
Daquele ano em diante, a Panini dominou o mercado de figurinhas, não somente de futebol (tenho, por exemplo, outros, completos, de heróis da Marvel, e da Turma do Chaves, por exemplo). Ainda do grupo, tenho os álbuns dos Campeonatos Brasileiros de Futebol de 1995 e 1998. E o mais belo de todos até a presente data, pelo menos para mim, um intitulado “Brasil de Todas as Copas”, de 2014, que tive a felicidade de completar com as suas 48 páginas, ricamente ilustradas.
Em outros tempos, estaria eu ali com aquele pessoal. E porque não estou? Como historiador, acho estranho colecionar um álbum que vai virar fonte histórica contento figurinhas de jogadores que estarão ou não na Copa de 2022. Sinceramente, não tenho o mesmo entusiasmo daquele pessoal. Mas, isto, não tira a importância do momento, em que em pleno adiantado do século XXI, com a predominância do digital, o impresso autocolanteainda reinando.

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