Foi um basta nas provocações

* Rômulo Rodrigues

Quem militou e lutou nas lides sindicais quando o paradigma da luta de classes estava no chão das fábricas sabia que para enfrentar os monstros do patronato, tinha que estudar as teses do guru deles, um chileno chamado Júlio Lobos que os orientava a enfrentar com sabedoria e astúcia os representantes do campo oposto com um alerta estratégico: nunca os deixe ficar sem saída.
A extrema direita, não acreditando em leis, em estado democrático de direito e acreditando que domina o povo de uma nação com instrumentos como palmatória, chibata, chicote, tacape, punhal de qualquer cor e pistola, dispondo à hora que quiser de tanques de guerra e soldados armados, amados ou não; viu chegar o dia 14 de dezembro com o povo nas ruas gritando basta! Canalhas, canalhas, canalhas.
Os blocos da alegria popular exibiam faixa e cartazes dizendo; Brasil contra a anistia; povo nas ruas, golpistas nas cadeias; democracia sempre; congresso inimigo do povo, fora Hugo Mota, deixando o recado para aplicação imediata; ele não tem condições de presidir a casa do povo. Razão? O povo não aceita!
Os fatos atuais, como no passado, apontam que o momento decisivo exige uma limpeza geral na câmara dos deputados, começando pela cadeira da presidência para poder se estender até as gangs partidárias que empesteiam e contaminam o ambiente.
Seria cômico, se não fosse trágico, se os pistoleiros ideológicos das agências financeiras não se travestissem de analistas de bancadas de telejornais e ou palpiteiros de terreiros dos canais fechados para as verdades e abertos para as mentiras como arma de domínio de massa, errando de propósito os prognósticos dos começos de ano, por não saberem o que disseram e vão continuar dizendo; acontece que são muito bem pagos para apregoar as incertezas e desconfiança no governo federal; não é, Tarcísio?
Vez por outra os farsantes fazem ouvidos de mercador como fez o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas quando Lula na sua cara esburacada, marca de quem não tem vergonha nela, desmentiu e ridicularizou a campada de palpiteiros que emitem conceitos falsos por defenderem sua candidatura como única opção da extrema direita.
Como o rebaixamento da política é o forte deste seguimento, não causou estranheza que o cantor Zezé de Camargo anunciasse a ruptura doe contrato para cantar no show do final do ano no canal do SBT porque a filha de Silvio Santos convidou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes para participarem do momento especial de um novo canal de notícias.
Este é o clima de desespero instalado por quem alimenta o espectro do extremismo entreguista e que prega o slogan Deus, Pátria, Família e pratica todas as inúmeras formas de corrupção e não suporta justiça social.
Com a temperatura elevada pela presença massiva da militância nas ruas de todas as 27 capitais país a fora e de dezenas de grandes cidades, além de médias e pequenas, eles demonstram terem entrado em desespero e já se acusam mutuamente criando um clima que está irritando o presidente da câmara dos deputados Hugo Mota com a explosão de gozações e cobranças nas redes sociais que tendem a atravessar a virada de ano e explodir no carnaval da Sapucaí com o desfile e samba enredo da escola Acadêmicos de Niterói, em homenagem a Dona Lindu.
No domingo, na Avenida Paulista, ele, Artur Lira e Tarcísio de Freitas foram efusivamente vaiados a pedido do deputado federal Ivan Valente do PSOL.
Quem está no olho do furacão é o pai adotivo de Hugo, Artur Lira, com a chegada das investigações sobre emendas do orçamento secreto dirigido com mãos de ferro pela sua secretária executiva que hoje presta serviços na liderança do seu partido, o Progressista.
A outrora toda poderosa Mariangela Fialek, Tuca, considerada HD do orçamento secreto é a bola da vez para rachar o Centrão e revelar o maior escândalo de corrupção já apurado no Brasil, capaz de cassar registros partidários, e há quem diga que o esquema de PC Farias era coisa de amador, onde o esbravejante deputado federal Gustavo Gayer já está com a corda no pescoço.
No ápice do desespero e do absurdo Hugo Mota mandou desligar todo o sistema de transmissão da câmara e retirar com uso da força a imprensa que estava dentro do plenário com agressões físicas ao deputado Glauber Braga, para votar uma PEC que beneficiava apenas Jair Bolsonaro, mesmo sabendo de sua inconstitucionalidade em flagrante afronta e desrespeito ao Supremo Tribunal Federal.
O que espanta é que passados vários dias ainda tem dezenas de ratos e ratazanas ostentando os mandatos de deputados federais sem perceber que a ciência, a razão, a espiritualidade já explicaram que Jair Messias Bolsonaro não é um ser humano que possa ser classificado com alguma coisa chamada cognição e essa gente continua acreditando e mentindo para que outros acreditem que é um mito. Como diria FHC, mesmo com culpa em cartório: Assim não pode, assim não dá!

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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