Rian Santos – riansantos@jornaldodiase.com.br
Previsível, a programação do Forró Caju 2023, divulgada por todos os meios e canais à disposição da Prefeitura de Aracaju, exalta mais uma vez a força da grana, com as concessões de sempre.
Mestrinho, Cobra Verde, Sergival, emprestam o prestígio conquistado ao longo de uma vida inteira ao evento protagonizado por bonecos de plástico. Os cantores, cantoras, bailarinos e bailarinas, músicos explorados pelos empresários do forró eletrônico, fabricam os números indispensáveis ao alarde, encarregados de justificar a dinheirama derramada nos bolsos certos, jogar a ração barata do entretenimento mais vulgar para saciar o apetite das multidões – a fórmula gasta do sucesso.
O Forró Caju é superlativo, igual à ponte Aracaju/Barra, em oposição a Zé Peixe e os barcos tototós. O Forró Caju é imenso, assim como a banda Calcinha Preta em comparação com a malícia inocente de Clemilda. O Forró Caju é grandioso, do mesmo modo como é grande o seu público frente aos gatos pingados que ainda arrastam o pé, animados por um trio pé de serra.
O valor da verdade, tão caro às tradições herdadas de gerações passadas, raramente se mostra à primeira vista, cativo do detalhe, do entalhe. Assim, a fogueira crepitante, tão modesta, sob certo ponto de vista, brilha mais forte do que os holofotes das festas promovidas pelo poder público local – um bicho de sete cabeças, cada vez maior.
Chora, sanfoninha, a minha dor!, implorou Luiz Gonzaga, um Rei metido em vestes simples de sertanejo. Num diminutivo carinhoso, humilde feito uma casa de taipa, ele se ajoelhae reza pela cultura nordestina inteira.


