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Frente Ampla pode assegurar a Democracia e as Conquistas Sociais


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Publicado em 22 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Elza Campos

A experiência da Frente Ampla, em vários momentos históricos de nosso país, mostra-nos importantes exemplos de como a unidade de forças político-sociais, convergindo para a defesa de algo maior – a democracia, em especial, e a defesa da nação e do povo – pode atingir seus objetivos. Conforme o passo de cada cenário histórico, unificar forças políticas amplas que tem diferenças coloca-se imperiosamente como uma necessidade objetiva para confrontar articulações que representem o retrocesso social e o autoritarismo.
A história recente está repleta de ensinamentos sobre a unidade de setores, lideranças, partidos, movimentos sociais, que se juntam para impedir que o reacionarismo seja vitorioso em detrimento das conquistas populares.
Neste momento, a discussão sobre a articulação de forças políticas em torno de um projeto popular, em oposição aos setores retrógrados, é uma tarefa da maior importância, notadamente para a derrota da extrema-direita que hoje é identificada como bolsonarismo.
Uma experiência de frente ampla deu-se nos anos 60, em plena ditadura militar. O regime ditatorial dos militares, agindo estimulado em tempos de Guerra Fria pelo imperialismo estadunidense, ficou marcado por todo tipo de violação dos direitos humanos e das liberdades democráticas dos/as brasileiros/as, pela severa repressão policial, tortura, prisões arbitrárias, execuções e desaparecimento de opositores do regime. Partidos críticos do governo do ditador marechal Castelo Branco (PSD, PTB) conseguiram se rearticular e lançar candidaturas independentes do regime, ganhando governos estaduais importantes como Minas Gerais e Guanabara. Um longo manifesto da Frente Ampla explicava como Carlos Lacerda (que apoiou o golpe de 01/04/1964, mas que em 1968 fez autocrítica desse erro histórico) e Juscelino (com vistas também a Jango), antes mortais inimigos, colocaram-se juntos contra o regime ditatorial. Conforme o documento, os três estavam lado a lado em nome de uma luta maior contra algo que ameaçava o país: a ditadura. Em 1968, com maior fechamento do regime (ano do “golpe dentro do golpe”, o AI-5), a Frente foi proibida em meio ao acirramento do conflito entre o movimento estudantil e o governo Costa e Silva.
Sempre é importante lembrar que o regime militar durou de 1964 a 1985. Foram longos 21 anos de cerceamento às liberdades, mas todas as ações realizadas para pôr fim à ditadura militar tiveram que ser costuradas por amplos setores de diversas matizes políticas, todas que defendiam a volta da democracia e assim se articulavam num leque da defesa do Brasil e do povo. Esse movimento, que passou pela campanha das Diretas-Já, pela eleição (mesmo indireta) de Tancredo Neves contra Paulo Maluf, pelo governo Sarney, culminou mais adiante na conquista da Constituição brasileira de 1988.
A experiência mais recente e vitoriosa é a da frente amplíssima constituída em torno da candidatura de Lula para presidente, que venceu a extrema-direita bolsonarista. Muitos torceram o nariz para a composição da chapa de Lula com o ex-adversário Geraldo Alckmin (migrado do PSDB para o PSB) para vice, mas não há como não reconhecer que seria um grande estrago, um retrocesso terrível se Bolsonaro tivesse ganho, à custa de numerosas falcatruas, um segundo mandato.
A capital paranaense foi palco de importantes movimentações, desde o golpe que retirou Dilma da presidência da República, da prisão de Lula, das batalhas contra Bolsonaro, buscando contradizer que Curitiba é eternamente conservadora. Contrapondo-se a essa generalização simplista, em Curitiba deu-se uma notável experiência de resistência ao arbítrio ilegal da Operação Lava-Jato, que prendeu Lula sem provas: a Vigília Lula Livre, acampamento persistente e multivariado diante da sede da PF onde Lula estava encarcerado, no bairro Santa Cândida, que permitiu alcançar um patamar de demonstrações de luta próprias de uma cidade capaz de ser solidária e resiliente. Entendeu-se que, naquele momento, as batalhas pela liberdade do ex-presidente inseriam-se na luta maior em defesa da democracia e da Constituição Brasileira, e que a prisão manipulada por setores inescrupulosos do Judiciário e do MP foi mais um capítulo dos processos golpistas que ocorreriam nesse período. Portanto, a palavra de ordem está dada: Curitiba é a capital da Resistência!
No país todo continua a luta contra o neofascismo da extrema-direita hoje simbolizada pelo bolsonarismo. A vitória de Lula, e sua gestão, é importantíssimo avanço democrático-popular, mas não basta per se. Por isto, mantem-se na ordem do dia um enfrentamento, pelos setores de esquerda, populares, progressistas e democráticos, da ameaça que prossegue como nuvem cinzenta pairando sobre as cabeças de todos. Será, assim, preciso fortalecer também em Curitiba a construção de um amplo movimento, envolvendo todos/as que defendem a democracia, as políticas sociais a serviço do povo, a ampla participação popular nas tomadas de decisão do poder público. Para tal movimento ser bem-sucedido, deve-se pôr de lado interesses exclusivistas ou de grupo, fortalecendo o Programa que elegeu Lula, ao mesmo tempo em que devemos estar atentos/as às situações problemáticas concretas de nossa cidade.
Com ousadia e determinação, vamos avançar para um projeto completo novo de país e de cidade, que atenda os trabalhadores e trabalhadoras, as mulheres, a juventude, a população negra e indígena, enfim, a todas e todos. E marchar juntos na próxima batalha política para o alcance de nossos objetivos comuns.

Elza Campos, assistente social, mestra em Educação (UFPR), ex-presidenta nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM) e Secretária de Mulheres do PCdoB-PR.

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