Funcionalismo em pé de guerra

O funcionalismo está em pé de guerra com o governo federal. Isso por que o presidente Jair Bolsonaro se comporta como um chefe de facção, não como o representante eleito de todos os brasileiros.
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) foi o primeiro a se rebelar. Antes mesmo de uma greve ser aprovada em assembléia, como já se especula, os chefes da Receita nos quatro cantos do Brasil entregaram seus cargos. A debandada chega a 90% dos servidores em tal posição.
Bolsonaro planta vento e colhe tempestade. A intenção de privilegiar a sua base política logrou êxito durante a reforma da previdência, quando ampliou a desigualdade entre os servidores civis e os militares. Agora, com a oportunidade suscitada pela votação do orçamento, o presidente aproveitou a chance de realizar novo aceno eleitoral e distingue policiais dos demais servidores públicos. Enquanto estes percebem a deterioração dos próprios vencimentos, aqueles são agraciados com a previsão de um reajuste salarial exclusivo para a categoria.
Os policiais são apenas 45 mil trabalhadores num universo de 1 milhão de servidores, aposentados e pensionistas sem reajuste há cinco anos. Ninguém duvida que os policiais na linha de frente do combate à criminalidade exercem um papel fundamental na manutenção da ordem e na segurança dos brasileiros. Mas os profissionais da Anvisa, IBGE, Ipea, FUNAI, além daqueles ligados ao exercício da medicina, a educação e a Previdência, entre outros, são tão importantes quanto qualquer servidor público com uma arma na mão.

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