Gabriel Damásio
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Os funcionários da empresa Cavo, que assumiu o serviço de limpeza urbana em Aracaju em março deste ano, já ameaçam paralisar as suas atividades. Eles reclamam principalmente das condições de trabalho e dos atrasos no pagamento dos vales-transportes, tíquetes-refeição e das cestas básicas. Os benefícios deveriam ser entregues no primeiro dia do mês, ou seja, no último domingo, mas até a tarde de ontem, as cestas não chegaram e o dinheiro equivalente aos vales só foi depositado nas contas bancárias de uma parte pequena dos funcionários.
A situação foi discutida ontem de manhã, quando os garis da Cavo fizeram uma assembleia na porta da sede da empresa, no bairro Veneza (zona oeste), durante a troca de turno. Na reunião, organizada por dirigentes do Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp), ficou decidido que, se os benefícios não forem pagos pela empresa até hoje, serão iniciadas paralisações de advertência de duas horas na segunda e na terça-feira. E caso os problemas continuem, a paralisação será maior na quarta-feira, podendo ser de 12 ou de 24 horas.
Para o vice-presidente do Sindelimp, Anderson Vidal, o atraso no pagamento dos vales-transportes para os garis da Cavo está causando transtornos sérios para os trabalhadores, que ficam sem condições de ir para o trabalho todos os dias. O sindicalista diz, inclusive, que alguns funcionários chegaram a ser detidos pela Guarda Municipal por tentar entrar sem pagar a passagem nos terminais de ônibus. "Alguns [benefícios] foram pagos, mas outros não. Tem gente que não recebeu nem o do mês passado, e quando vai reclamar no setor de pessoal da empresa e é tratado pior do que cachorro. E informam também que não vão ressarcir o que foi pago do próprio bolso dos trabalhadores. Isso é errado, é uma covardia, porque tira o direito de ir e vir do trabalhador. É errado pular a catraca, mas como eles vão pra trabalhar? Vão a pé?", questiona Anderson.
Ainda conforme o vice-presidente, outra reclamação dos garis da Cavo é de que os vales não são pagos em cartões específicos, como o Aracajucard, ou em tíquetes de papel, mas têm o seu valor equivalente pago em dinheiro. E, mesmo assim, a quantia só pode ser depositada em agências do Bradesco, onde os empregados estariam sendo obrigados a abrir contas. Anderson acusou ainda a Cavo de recusar dados de contas abertas em outros bancos.
Os funcionários também protestam contra a falta de condições de trabalho. As equipes de rua têm recebidos galões de água vazios antes de sair para o trabalho de coleta. "Tem que encher na própria empresa antes de sair pro trecho, e não sair pedindo nas portas. Mas ela sai vazia, e quando o gari vai pedir, ele é punido pela empresa", reclama o sindicalista. Outras questões levantadas foram a superlotação das cabines dos caminhões de lixo, que têm saído com quatro ou cinco garis nas boleias (com o motorista), e a existência na sede da Cavo de um único banheiro para os garis e outros funcionários, sejam eles homens ou mulheres.
Além das paralisações de advertência, decididas na assembleia de ontem, o Sindelimp afirma já ter denunciado os atrasos e a falta de condições para o Ministério Público do Trabalho (MPT). Cerca de 1.000 funcionários trabalham atualmente na Cavo, que é ligada ao Grupo Estre Ambiental e assumiu a coleta de lixo em Aracaju, após a assinatura de um contrato emergencial com a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA). A empresa não se manifestou sobre o assunto.


