HERÓIS DO JENIPAPO

Inocêncio Nóbrega

Não foram poucas as proclamações no período histórico pela nossa independência, as quais tiveram por epicentro o Grito do Ipiranga, cujo acontecimento não ultrapassa algumas horas, pacificamente, fugindo à regra de igual sentido, verificada pelas colônias espanholas, nas Américas. Não houve vítimas, portanto. Antecipando-se a esse ato, ou mesmo posteriormente, pronunciaram-se Casas camerais de várias vilas brasileiras, a exemplo do Porto de Cachoeira, na Bahia, que em vereação de 25.06.1822, decide proclamar o Príncipe Pedro de Alcântara Defensor Perpétuo do Brasil. Outras, como a da Paraíba, resolve desligar-se, adredemente, da comunidade lusa, e no setentrional goiano o líder Joaquim Teodoro Segurado proclama a Vila de Cavalcanti capital da capitania. Em resumo, segundo notícia de “A Gazeta de Madri”, por Decreto seis capitanias brasileiras (RJ, SP, CE, PB, PE e AL) tiveram suas representações impedidas de atuarem nas Cortes de Lisboa, por atos de rebeldia, o que significa praticamente expatriadas da comunidade portuguesa.
Sem pretender atingir o altruísmo da Batalha do Pirajá, e demais disputas pela causa da independência, com semelhantes motivações a do Jenipapo, de 13 de março, precisamente há 200 anos, foi a mais sofrida e disputada. “É preciso esmagar o inimigo do Piauí”, teria dito o patriota Souza Martins. Silente, cada um dos 4 mil combatentes estava consciente de que urgia a expulsão lusa do território piauiense e do major João Fidié. Traduziria, em ação, o simbolismo do Ipiranga. O movimento nacionalista ganhara a adesão do cap. Francisco Alencar; Leonardo Castelo Branco, filho do cel. Justino Castelo, então crítico à bandeira autonomista, foi escolhido para comandar nossas tropas, na região de Campo Maior, arena da refrega. Havia aquele sido homenageado, como herói, por uma multidão à entrada da Igreja de Santo Antonio, presumindo-se certa nossa vitória. Não faltava coragem ao corneteiro Manuel Rufino da Luz.
Sol matutino abrasava o leito seco do riacho Jenipapo. Os brasileiros, orientados pelo cel. Luiz Rodrigues, ocultam-se sob os ralos arbustos, pobremente armados. A ordem, deter Fidié. Diante de um Exército organizado e disciplinado.
Fidié esconde o número de mortos. Não menos 600 perderam a vida e 800 prisioneiros e feridos. O corneteiro Rufino é visto, segurando o instrumento à boca, emitindo a última nota musical. O triunfo, adiado para Caxias-MA. Ali, só foi concedida a Fidié voltar para casa. Episódio do Jenipapo, por ocasião de seu bicentenário, muito bem lembrado pela TV Bandeirantes, através de curto seriado, iniciativa, que merece nosso reconhecimento.

Inocêncio Nóbrega, jornalista

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