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Incêndio suspeito mata bebê e deixa mãe ferida


Publicado em 17 de agosto de 2012
Por Jornal Do Dia


Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma mulher e um bebê foram vítimas de um incêndio na madrugada de ontem na rua B do Cj. Jardim I, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). A casa da jovem Isadora Ramos Teles, 19 anos, pegou fogo depois de ter sido invadida por desconhecidos que entraram no quarto dela, por volta das 4h, e acenderam fósforos em volta da cama onde a vítima e o filho, Luiz Guilherme Ramos Bento, de um ano e oito meses, dormiam. O bebê morreu carbonizado e Isadora foi internada no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) com queimaduras de 2º e 3º graus em 30% do corpo.

Conforme os relatos da própria Isadora, que falou aos vizinhos durante o socorro, ela teria sido atacada por um homem que tentou enforcá-la com um golpe conhecido como "mata-leão" ou "gravata", no qual o agressor pressiona o braço em volta do pescoço da vítima. Ela tentou se desvencilhar, mas acabou desmaiando. Minutos depois, ela acordou com as chamas em volta da cama e saiu de casa pedindo socorro.

Não se sabe como o fogo foi provocado, mas caixas de fósforos foram achadas no chão e em volta do local da tragédia. Apenas o quarto foi incendiado e a cama usada por mãe e filho ficou praticamente destruída.
O pintor Adailton da Conceição, vizinho das vítimas, chegou primeiro à residência como enteado e tentou socorrer a mulher e o bebê. "A cena que eu vi foi triste e alarmante. Eu não tive condições de ajudá-la, por que ela já veio no meu portão gritando, pedindo socorro. Quando fomos ajudar, ela disse que tinha uma criança queimada em cima da cama. Ainda fomos apagar o fogo e tentar salvar, mas não deu tempo, porque o fogo ficou todo em cima da criancinha", lamentou. Outros vizinhos também ajudaram a apagar o fogo, antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi chamada ao local e levou Isadora, ferida nos braços e no tórax, direto ao Huse. Segundo a assessoria do hospital, a paciente foi estabilizada na Área Vermelha e encaminhada para o Centro Cirúrgico, onde passou por cirurgia de desbridamento (limpeza) e foi monitorada clinicamente. No início da tarde, houve a transferência para a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), onde ela permanece estável, consciente e orientada. Seu estado geral de saúde não é considerado grave, afirma o boletim médico.

O incêndio é considerado criminoso e está sendo investigado por policiais do Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP), que estiveram no local com peritos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal (IML), que recolheram o corpo da criança. Ainda não se sabe se a casa de Isadora foi arrombada ou se a própria vítima teria dado algum acesso ao incendiário, seja por descuido ou por conhecimento. Há também a possibilidade de que duas ou mais pessoas tenham participado do crime.

Ameaças – A principal hipótese considerada no momento, com base em informações de testemunhas, vizinhos e familiares da vítima, é de que o incêndio teria sido causado por pessoas ligadas a um homem casado que mantinha um relacionamento com Isadora há poucos meses. A jovem teria sido ameaçada há dias atrás pela esposa do amante, que descobriu o relacionamento e passou a enfrentá-la. "Há cinco meses que ela tem relação com esse rapaz, segundo ela me falou. E a esposa dele estava ameaçando ela. A principal suspeita é ela (a esposa), porque ela ameaçou", disse a vendedora Cristina Araújo, mulher um tio de Isadora.

Dois relatos de Cristina apontam fortemente para esta hipótese. No primeiro, as rivais teriam se encontrado há cerca de uma semana e Isadora teria ouvido da suspeita a seguinte frase: "Eu só não lhe dei umas facadas até agora não sei porquê". O outro fato aconteceu na madrugada anterior ao incêndio criminoso, quando a vendedora e o marido voltavam para casa. "Eram duas horas da manhã, vínhamos chegando e tinha uma mulher numa calçada, perto de um carro, que falou assim: ‘Por que não dão um copo de veneno pra essa vagabunda?’. Pra ela falar assim, deve ser parente da mulher do rapaz", desconfia ela.

A polícia não se pronunciou oficialmente sobre as investigações da tragédia. Os primeiros depoimentos formais devem ser ouvidos hoje. Além do menino morto, Isadora tinha outro filho, de três anos, que estava dormindo na casa da avó, no mesmo conjunto, quando a tragédia aconteceu.

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