Infância perdida

Dados relacionados à infância e adolescência no Brasil sempre resvalam numa desesperança muito pungente. Isso porque o futuro do País é negligenciado há décadas. Pequenos avanços em políticas públicas voltadas para o segmento não têm poder transformador. É preciso que a infância seja tratada como prioridade.
Pelo menos 32 milhões de crianças brasileiras, meninos e meninas, vivem na pobreza. O número representa 63% do total de crianças e adolescentes no país e abarca a pobreza em diversas dimensões: renda, alimentação, educação, trabalho infantil, moradia, água, saneamento e informação. É o que indica a pesquisa As Múltiplas Dimensões da Pobreza na Infância e na Adolescência no Brasil, divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com dados divulgados em 2020 pelo IBGE, em 2019 havia no Brasil cerca de 1,8 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, o que equivale a 4,6% das crianças brasileiras. No mesmo ano, em Sergipe, havia mais de 16 mil crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil. A julgar pelo que se vê nas ruas, a situação está ainda pior, em função da pandemia ainda recente.
A triste verdade é que as crianças surpreendidas nas feiras livres e cruzamentos de Aracaju, na batalha por um trocado, estão longe de exceção à regra. Grande parte das crianças brasileiras é mero cidadão de papel, para usar a expressão do escritor e jornalista Gilberto Dimenstein. Embora a legislação em vigor lhes garanta todos os direitos indispensáveis ao exercício pleno da cidadania, meninos e meninas sucumbem à pobreza, à margem das políticas públicas e das garantias constitucionais.

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