INSS arruinado

Longe de levar uma vida fácil e gozar merecido descanso, após uma vida inteira de trabalho, os aposentados brasileiros sofrem um golpe após o outro. A reforma na previdência promovida pelo governo Bolsonaro foi o mais covarde, pois ampliou desigualdades e dificultou o acesso ao benefício. Não foi o único.
O corte de R$ 988 milhões no orçamento do Instituto Nacional de Seguridade Social sancionado segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro deve atrasar a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, como aposentadoria, pensão e auxílio-doença, prejudicar o atendimento dos segurados, fechar agências e, segundo o sindicato de funcionários, aumentar o tamanho da fila de espera, que hoje tem 1,8 milhão de processos. Na prática, o presidente tirou da boca dos velhinhos para distribuir recursos entre os parlamentares de sua base.
Sucateado, sem servidores suficientes para atender a demanda, o INSS vem se mostrando incapaz de cumprir a missão para a qual foi idealizado. Pior para milhões de potenciais beneficiários, os trabalhadores mofando na fila de espera, sem data para ter o pedido analisado.
Não se trata aqui de qualquer repartição, mero cabide de empregos, como o presidente gosta de caracterizar o serviço público. Compete ao INSS a operacionalização do reconhecimento dos direitos de todos os segurados inscritos no Regime Geral de Previdência Social, um contingente com mais de 50 milhões de trabalhadores. A demanda por atendimento é imensa. O esvaziamento do INSS é denunciado há anos – um processo que finalmente chega ao ápice, por força do poder discricionário de um presidente insensível, tão tristemente exercido por Bolsonaro.

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