Janelas do Doutor Cury

* Carlos Morais Vila-Nova

A notabilidade dele vem dos estudos e publicações, que clarificam o funcionamento da mente humana e como esta interfere nas condutas e atitudes. Desse modo, o médico e escritor Augusto Cury é difundido mundo afora pelos valorosos livros.
Não obstante, o termo “janela” ser bem sugestivo nos ditos, a exemplo de janelas de oportunidades ou quando se fecha uma porta, Deus abre uma janela; as teses do escritor citam uma espécie de ‘janelas da memória”, também em sentido figurado, porém numa linha mais científica para as explicações em suas obras.
Segundo Cury, para melhor entender, a mente funciona como se tivesse em seu conteúdo, imaginárias janelas cerebrais, sendo uma chamada de “light” e outra com o nome de “killer”, cuja tradução significa destruidora.
Adentrando nessa tônica explica ele que a primeira janela acumula bons sentimentos, como os de afeição, criatividade, apoio, elogio, autoestima e humanismo, que estimulam as boas relações sociais; e, a segunda como aquela guardadora das diversas vivências ao redor, vindas desde a infância, que podem trazer de maneira consciente ou mesmo inconsciente, arquivos negativos na mente, geradores de insegurança, intolerância, impulsividade, frustração, obsessão, egoísmo e outros sentimentos ruins.
Dessa forma, importante comentar sobre esse guru cientista, que procura desvendar com propriedade a cabeça humana; já tendo divulgado os resultados dos estudos em diversos livros há anos, marcantes como uma chave de luz. Observações feitas pelo doutor trazem sentido prático, beneficiando milhões de pessoas, que procuram compatibilizar os ensinamentos a uma nova visão cotidiana, apesar das dificuldades existentes. No mais, em relação às vivências e acontecimentos indesejados no tempo, que poderiam ser evitados.
Diante da dualidade, internamente perceptível por cada um, o escritor dá uma valoração ao gerenciamento dos pensamentos, referindo-se com atenção e respeito a um destacado território da emoção humana, responsável por desmandos e desatinos, que são gerados pelas faltas de racionalidade, consciência e razão..
Num outro ponto, pragmaticamente importante, diz Cury, que embora seja impossível apagar os arquivos ruins e doentios da mente, como se faz num computador, as citadas janelas estão sempre abertas para as entradas de novas ideias e boas influências, como as de solidariedade, tolerância, cooperação e altruísmo, que compensam com cargas benéficas o lado negativo dos arquivos e até os neutralizam.
Assim, quer seja como escritor, médico ou palestrante, Augusto Cury vem prestando relevantes benfazejos, pela via da aplicabilidade dos seus ensinamentos, considerando a mente como uma caixinha de explicação e solução.
Porém, os conceitos são diversos, ao ponto de alguns qualificarem a razão como “chata”; assim como, de taxarem a emoção como sedutora e envolvente; ou de um referido perfeitinho da razão, que cansa.
Contudo, nesses tempos mais recentes, destacável mesmo é a pré-candidatura desse proeminente escritor à presidência da república, abrindo uma janela light, que merece as melhores atenções e análises.
Com esse ensejo, basta entender que o doutor Cury pode melhorar o contexto existente de carências mais elementares para muitos brasileiros (as), geradas pelas janelas killer na política, que polarizam e que decidem com egoísmo e obsessão, prejudicando a grande camada da população.
Desse modo, diante do contexto, os preceitos de Cury, quando diz: – começar de novo quantas vezes for necessário ou de escrever as mais belas histórias na sua vida e/ou de vai vencer o que você alimentar; são independentes e superlativos à corrida presidencial. Mas, ao mesmo tempo, são essas qualidades que o credencia como uma terceira via, desde que a razão seja a tônica e a emoção venha em melhores dias.

* Carlos Morais Vila-Nova, advogado de Estância/SE, mestre em Direitos Humanos, bancário aposentado

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