Juros nas alturas

A autonomia do Banco Central, notável na resistência do Comitê de Política Monetária a uma redução drástica da taxa básica de juros, é uma pedra no sapato do presidente Lula. Sem alternativa, além de apelar ao bom senso dos magnatas, o presidente conta as horas para indicar o substituto de Campos Neto. E esperneia.
É certo que a taxa básica de juros praticada no Brasil é exorbitante. As declarações de Lula a respeito da filiação ideológica de Campos Neto, no entanto, mais produzem ruídos do que apontam soluções.
Atento à necessidade atrair investimentos estrangeiros, Lula argumenta que não há nenhuma explicação que justifique a taxa de juros atual. E, neste particular, está coberto de razão. Mas erra feio ao antecipar o debate eleitoral à presidência da República, atrelando as decisões do BC a interesses partidários.
Para o presidente, juros altos não condizem com o contexto de baixa inflação, promovidos por um Banco Central que deveria ser autônomo, mas sofre interferências políticas da oposição. Goste ou não das decisões tomadas pelo Copom, entretanto, Lula terá de se conformar, igual a todos os brasileiros.
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