Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”. A síntese do discurso realizado pelo presidente Lula dá o tom do seu pronunciamento perante a Organização Internacional do Trabalho.
Lula discursou na sessão de encerramento do fórum inaugural da Coalizão Global para a Justiça Social no âmbito da 112ª Conferência da OIT, em Genebra, na Suíça. Lá, o presidente brasileiro se mostrou disposto a firmar uma posição de liderança, sintonizado com as urgências do tempo presente.
“O número de pessoas em empregos informais saltou de aproximadamente 1,7 bilhão, em 2005, para 2 bilhões neste ano. A renda do trabalho segue em queda para os menos escolarizados. As novas gerações não encontram espaço no mercado. Muitos não estudam, nem trabalham e há elevado desalento. Quase 215 milhões, mais do que a população do Brasil, vivem em extrema pobreza, mesmo estando empregados. As desigualdades de gênero, raça, orientação sexual e origem geográfica são agravantes desse cenário”, destacou.
Lá, Lula teve a oportunidade necessária para falar como gente grande. Infelizmente, cá no Brasil, o presidente precisa se ater a questões comezinhas, derivadas de uma relação conturbada com o Congresso Nacional. Nos embates casuístas patrocinados pela oposição, a política se apequena, em desfavor dos brasileiros.


