Luta quilombola

Ancestralidade, luta e liberdade. A relação das comunidades quilombolas com a terra transcende a geografia e os direitos demarcados a golpes de caneta na superfície do mapa. Trata-se reconhecer aos remanescentes de quilombos o sentimento de pertencer a um lugar. E a importância dos valores ali cultivados para a cultura local, de maneira mais abrangente.
A luta dos quilombolas pela terra avançou muito a partir da Constituição Federal de 1988. Em seu artigo 68, a Carta garante a propriedade da terra ocupada pelas comunidades quilombolas. No entanto, de 1988 até agora pouquíssimas comunidades receberam o título de propriedade de suas terras.
Há boas razões para ser diferente. Hoje, os quilombolas são exemplos de convívio entre populações humanas e a geografia, além de atores importantes em projetos de desenvolvimento sustentável. Mas continuam, em sua maioria, dependentes da terra. O reconhecimento do direito ao pedaço de chão ocupado é importante, mas a posse do território, mediante desapropriação para fins sociais, é fundamental.
Apesar dos pesares, o entendimento sobre a questão vem evoluindo muito. Sergipe na marcha, inclusive. A assinatura que concedeu o título definitivo de três áreas ocupadas por remanescentes de quilombos localizadas em Sergipe, em 2012, é exemplo do progresso. Caraíbas, Mocambo, Lagoa dos Campinhos e Serra da Guia. Quatro comunidades quilombolas com a própria cultura enraizada no chão.
Mais recentemente, já no terceiro mandato do presidente Lula, as comunidades Lagoa dos Campinhos e Serra da Guia finalmente receberam os títulos de propriedade da terra, durante cerimônia realizada em Brasília. Foi em 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Mais simbólico, impossível.

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