Milton Alves Júnior
Na luta pelos direitos dos trabalhadores milhares de sergipanos promovem amanhã a Greve Geral dos serviços públicos. Coordenado por centrais sindicais, movimentos sociais, associação de moradores, comunidades religiosas, grêmios estudantis e centros acadêmicos, o movimento nacional conquistou até a tarde de ontem a adesão de pelo menos 40 categorias com atuação em Aracaju e demais municípios sergipanos. A unificação das forças tem registrado cenários pouco vistos nos últimos anos no Brasil. Apesar das divergências ideológicas, a mobilização de amanhã contará com a participação direta da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Paralelo à proposta de pressionar os parlamentares federais a votar contra o Projeto de Emenda Constitucional (PEC287/2016), os manifestantes pedem a saída imediata do presidente da república Michel Temer (PMDB), após promover atos considerados arbitrários contra os interesses da população brasileira. Na tentativa de desqualificar a Greve Geral, deputados e líderes partidários ligados ao peemedebista alegam que a manifestação está sendo orquestrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e por parlamentares ligados diretamente ao escândalo da Lava Jato. De acordo com o professor Rubens Marques, presidente da CUT/SE, essas manobras não passam de atos de desespero, tendo em vista a força popular que promete invadir ruas e avenidas pelos quatro cantos do país.
"Estamos prestes a parar literalmente o país e os governistas que há um ano massacram o trabalhador estão com medo da pressão que o brasileiro vai impor amanhã. É muito bom deixar claro que nós não estamos nos reunindo para defender partido ‘A’ ou ‘B’, muito menos enaltecer político; a nossa missão é mostrar ao presidente ilegítimo Michel Temer que não iremos aceitar calados o pacote de maldades que ele está impondo contra os trabalhadores", declarou o sindicalista. Ainda sobre as acusações de ligação com o PT e o ex-presidente Lula, Rubens mandou um aviso para aqueles que tentam atrapalhar o movimento:
"Não passa de uma investida sem contexto real nenhum. Quanto mais batem no trabalhador e tentam reduzir a sua força, mais a massa que faz esse país andar se revolta e se une. Já contamos com uma adesão representativa de sindicatos e amanhã iremos parar o país em todos os estados. Chega de medidas antipopulistas e que retiram os direitos históricos do cidadão trabalhador". Além dos sindicatos, servidores de órgãos como o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE) também anunciaram a paralisação das atividades.
Lista dos sindicatos e associações que já anunciaram adesão ao movimento: categorias ligadas à CUT: Sintese (professores estaduais e municipais), Sindipema (professores de Aracaju), Sindisan (Deso), Sindiprev (Previdência Social), Sindetran (servidores do Detran), Sindsemp (servidores do Ministério Público), Sindijus (servidores do Judiciário), Sintsep (servidores federais – Ebserh), Sinpaf (Embrapa e Codevasf), Sintect (correios), Sinergia (eletricitários), Sindiscose (servidores de Conselhos e Ordens), Sindasse (assistentes sociais), Sindinutrise (nutricionistas), Sinpsi (psicólogos), Sindiserve Socorro (servidores de Socorro), Sindiserve Glória (servidores de Glória), Sindifrei (servidores de Frei Paulo), Sindiserve Divina Pastora (servidores de Divina Pastora), Sinditabi (servidores de Itabi), Sindseme (servidores de Estância), Sintegre (servidores de Monte Alegre), Sindserv Poço Verde (servidores de Poço Verde), Sindiserve Canindé (servidores de Canindé), Sintram (servidores de Malhada dos Bois), e o Sindsluzi (servidores de Santa Luzia do Itanhy).
Ligados à CTB: Seeb (bancários), Sintrase (servidores do Estado de Sergipe), Seese (enfermeiros), Sinter (Emdagro), Sintracon (construção civil), Sintasa (saúde). Ligados à Força Sindical: Sintrafa (fisioterapeutas) e Sindifarma (farmacêuticos). Ligados à UGT: Seca (comerciários). Sem coligação com central sindical: Adufs (professores da UFS), Sindifisco (servidores do Fisco), Sintufs (técnicos da UFS), e Sindiodonto (cirurgiões dentistas).


