Mais médicos

A queda de braço ideológica por trás do programa Mais Médicos, em vias de ser ressuscitado pelo governo Lula, deixou milhões de brasileiros sem assistência médica. Isso porquê, a despeito do grande número de profissionais formados, a distribuição de médicos pelos quatro cantos do Brasil deixa muito a desejar.
Segundo o Conselho Federal de Medicina, o Brasil possui médicos ativos, com registro nos CRMs, em número absoluto suficiente para atender às necessidades da população. Mas, apesar do significativo contingente e um dos maiores do mundo, ainda há um cenário de desigualdade na distribuição e fixação desses profissionais, com reflexos óbvios no acesso à assistência médica.
Todo mundo sabe que as entidades de classe dos médicos brasileiros viraram as costas para o Brasil profundo. Os ataques ao programa Mais Médicos – que tem em vista a aproximação entre os doutores (eles gostam de ser chamados assim) e os mais necessitados – revelaram a indisposição com o desconforto necessário para alcançar a população. No que dependesse dos sindicatos da categoria médica, o programa nunca teria saído do papel.
Não é à toa que a participação de médicos brasileiros no programa sempre foi modesta. O Mais Médicos chegou a contar com mais de 11 mil profissionais cubanos contra apenas 1.846 brasileiros. A diferença sublinha a discrepância apontada pelo próprio CFM, entidade segundo a qual as cidades pequenas, pouco atraentes para a maioria dos profissionais habilitados para o exercício da medicina, concentram 33% da população brasileira. Apesar disso, esses municípios dispõem de apenas 8% dos médicos aptos para atuar em território nacional.
Entre todas as críticas dirigidas ao programa Mais Médicos, a única que possui algum fundamento lamenta que a presença de profissionais médicos não deem conta das carências estruturais e físicas do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma meia verdade. Às vezes, o programa provou, um olhar atencioso pode fazer toda a diferença do mundo.

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