Os brasileiros mais pobres estão mofando na fila do programa Bolsa Família. Segundo estimativas, pelo menos 1,7 milhão de famílias aguardam a boa vontade do governo federal, apesar de aptas a receber o benefício. A espera não tem data para chegar ao fim. Falta transparência e consciência social.
Os programas de transferência de renda começaram a ser adotados no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ampliado desde o primeiro mandato de Lula, sempre mereceu a alcunha de "bolsa esmola" pelos adversários do Partido dos Trabalhadores. Além do seu evidente apelo eleitoral, contudo, há razão de sobra para o governo federal insistir na distribuição do auxílio. Antes de todos, a economia agradece.
Em primeiro lugar, ao contrário do que afirmam os desinformados, o investimento jamais manteve milionários. O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 179 mensais.
Infelizmente, os brasileiros em situação miserável ainda são muitos. Em setembro passado, 13,5 milhões de famílias foram atendidas a um custo de R$ 2,5 bilhões. O benefício médio registrado pelo governo foi de R$ 189,21.
Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a milhões de desempregados, a fome é um dado da realidade. O pagamento do Bolsa Família tem sim, portanto, uma face assistencialista. No entanto, as consequências virtuosas na economia, derivadas do consumo entre os mais pobres, não são menos importantes.


