MÁRCIO MACÊDO CONFIRMA DISPUTA PARA COMANDAR PT

O deputado federal Márcio Macêdo está se preparando para apresentar nesta segunda-feira, 12, o registro da sua candidatura a presidente do diretório estadual do PT, no Processo de Eleição Direta que será realizado em novembro. Membro da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), Márcio deverá ter como principal adversário o deputado federal Rogério Carvalho, que também integra a CNB.
Márcio entende que tem o perfil adequado para assumir a presidência do PT. "A direção que será eleita terá um mandato de quatro anos e comandará o partido nas eleições de 2014 e 2016. Portanto, é preciso na presidência do PT alguém com perfil conciliador, que respeite as forças internas e as lideranças constituídas, que tenha identidade partidária, que possa construir a unidade que o partido precisa para este novo momento e possa garantir a livre expressão do conjunto da militância e preparar o PT para o protagonismo do futuro, além de manter a boa relação com as forças da base aliada", justifica.
A seguir a íntegra da entrevista

Jornal do Dia – Silvio Santos retirou a sua candidatura a presidente do PT para retomar as negociações, mas as conversas não avançaram dentro da CNB. Ainda há chances de entendimento no grupo para a disputa do diretório estadual do PT?
Márcio Macêdo – Primeiro, quero registrar que o gesto de Silvio Santos foi nobre na direção da construção do consenso na CNB. As conversas dentro da corrente ainda estão acontecendo. O prazo final é esta segunda-feira. Estamos abertos para dialogar, tanto na CNB quanto com as outras forças políticas que compõem o partido.

JD – O prazo final de registro das chapas ocorre nesta segunda-feira, 12. O senhor já montou a sua chapa ou vai aguardar até o último momento para uma composição com o deputado Rogério Carvalho?
MM – A chapa está sendo montada, mas até a segunda-feira, que é o prazo final, estamos abertos ao diálogo tanto com Rogério e com as outras lideranças do PT quanto com as tendências políticas do partido.

JD – Rogério reclama que o grupo do senhor excluiu ele de todas as negociações para a formação da chapa. O que de fato aconteceu?
MM – Rogério é meu colega deputado, contemporâneo de geração e companheiro do PT, tem o meu respeito. Mas o centro do debate não é este. O centro do debate é o PT e o futuro do partido, sendo assim, Rogério está incluído em qualquer discussão no PT. É só ele querer.

JD – Quem for eleito, conduzirá o partido pelos próximos quatro anos, quando serão realizadas eleições estaduais e municipais dois anos depois. É por isso a disputa interna?
MM – Este é um momento importante na história do PT. Ao final de 2014, vivenciaremos o fechamento de um ciclo de gestão no Executivo de Sergipe, que foi iniciado na prefeitura de Aracaju e que hoje está no Governo do Estado. A partir daí, nós abriremos um novo ciclo, que acredito, será vitorioso pelo nosso bloco de partidos aliados, com o PT presente na base de sustentação. Por isso, é tão necessário ao nosso partido fortalecer a militância, estabelecer um processo de construção partidária, promover formação política dos seus filiados e se preparar para o futuro. A direção que será eleita terá um mandato de quatro anos e comandará o partido nas eleições de 2014 e 2016. Portanto é preciso na presidência do PT alguém com perfil conciliador, que respeite as forças internas e as lideranças constituídas, que tenha identidade partidária, que possa construir a unidade que o partido precisa para este novo momento e possa garantir a livre expressão do conjunto da militância e preparar o PT para o protagonismo do futuro, além de manter a boa relação com as forças da base aliada. Companheiros da CNB viram em mim este perfil para contribuir com o nosso partido.

JD – Qual o poder que tem a máquina partidária na condução de alianças e entendimentos para o financiamento das campanhas?
MM – A direção partidária vai conduzir o debate interno sobre as eleições. Uma vez definida a posição do PT, vai dialogar com os outros partidos da coligação. No que concerne ao financiamento das campanhas, a direção vai seguir o que preconiza a legislação eleitoral.
JD – O senhor acredita que a reforma política tem chances de avançar?
MM – Sim. O movimento das massas nas ruas e as vozes que ecoam delas demonstram uma crise de representatividade no Brasil, confirmada pelos últimos dados da pesquisa Ibope, que mostrou que 85% dos brasileiros querem a reforma política. O mesmo levantamento mostrou ainda que 92% defendem a participação popular na definição da reforma. Ou seja, isto só reforça a proposta feita pela presidente Dilma Rousseff de realização de um plebiscito. É o que a sociedade deseja. Então, acho que a partir da pressão popular a reforma política pode avançar no Congresso Nacional.  

JD – Quais são as mudanças que o senhor considera fundamentais?
MM – Considero fundamentais acabar com o financiamento de empresas nas campanhas, permitindo a contribuição individual, com o estabelecimento de um teto financeiro; alterar o sistema partidário, com o voto em dois turnos – primeiro votando no partido e depois escolhendo o candidato na lista partidária, e ampliar a participação direta do cidadão, desburocratizando os meios de apresentação dos projetos de iniciativa popular no Congresso. Também defendo a coincidência de eleições e a ampliação da participação feminina.

JD – O PT vai fechar uma posição nacional em torno da reforma ou cada um vai votar de acordo com a sua posição?
MM – O PT já tem uma deliberação nacional, a favor da reforma política e deflagrou uma ampla campanha de mobilização na sociedade, com três pontos: fim do financiamento privado das campanhas, voto em lista pré-ordenada para os parlamentos e constituinte exclusiva para a reforma. A bancada do PT no Congresso Nacional também está debatendo o tema, discutindo, inclusive, outros pontos, e o partido está atento para o debate que a sociedade está fazendo, como por exemplo, a campanha já deflagrada pela OAB.
JD – O senhor defende um entendimento em torno da candidatura de Jackson Barreto em 2014?
 MM – Sim. Há um consenso entre as forças políticas e lideranças do PT pela candidatura de Jackson Barreto a governador, e o partido reivindica espaço na chapa majoritária na vaga do Senado Federal. Na hora que a legislação permitir, o PT vai discutir nas suas instancias deliberativas e oficializar sua posição. É importante ressaltar que seja defendido o legado de oito anos do Governo de Marcelo Déda e que se tenha compromisso com a continuidade das mudanças que estão acontecendo em Sergipe.

JD – Caso Déda não tenha condições de saúde para disputar o Senado, o PT teria outro nome para apresentar?
MM – O consenso interno no partido é que o pré-candidato a senador do PT na chapa liderada por Jackson Barreto é Marcelo Déda.

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