Militares confirmam em assembleia que farão caminhada durante desfile

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Em assembleia realizada ontem à tarde, na sede da Associação dos Oficiais Militares de Sergipe (Assomise), os bombeiros e policiais militares decidiram confirmar a caminhada de protesto que está marcada para amanhã, durante o Desfile Cívico-Militar da Avenida Barão de Maruim, centro da capital. No entanto, o ato ligado ao ‘Movimento Polícia Legal’ terá a participação apenas dos militares que estiverem de folga, além de familiares dos servidores. Já os que estiverem de serviço deverão participar normalmente do desfile, compondo as tropas de todas as unidades das corporações. A orientação foi passada para evitar possíveis punições dos comandos das PMs e dos Bombeiros, que na semana passada prometeram punir o que considerarem "atos de indisciplina".

Não está confirmado em que parte do desfile deve ocorrer a caminhada do ‘Polícia Legal’, mas a expectativa é de que os militares de folga sigam junto com os participantes do ‘Grito dos Excluídos’, manifestação social organizada pela Igreja Católica, que tradicionalmente entra na avenida logo após o Colégio Atheneu Sergipense, última escola do desfile oficial. "O desfile irá acontecer, mas os militares que estão de folga farão a caminhada para que o governador nos ouça e encaminhe os projetos para a Assembleia Legislativa", disse o tenente-coronel Adriano Reis, da Assomise, referindo-se à principal reivindicação da categoria.

Os PMs e bombeiros querem que o governo estadual aprove junto à Alese e sancione dois projetos de lei que instituem nas corporações a Promoção por Tempo de Serviço (PTS) e o pagamento do subsídio (gratificações anexas ao soldo). O governo, por sua vez, anunciou que as propostas passam por ajustes nas secretarias de Fazenda (Sefaz) e Planejamento (Seplag) e serão enviadas aos deputados neste mês, mas sem prazo para entrada em vigor. O anúncio feito na semana passada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) causou mais insatisfação na tropa, que questiona a credibilidade do Palácio de Despachos e de seus secretários ligados à área político-econômica.

Além da caminhada com os militares de folga, os participantes do ‘Polícia Legal’ decidiram aumentar as fiscalizações contra prédios e veículos de órgãos públicos que não estejam em dia com a documentação exigida para seu funcionamento. Deverão ser enviadas notificações para que as repartições do Estado e das prefeituras apresentem suas licenças e laudos previstos em lei, com comunicação ao Ministério Público. Os militares também seguem com as apreensões de bancas de jogo-do-bicho, a portabilidade de suas contas bancárias e as medidas de operação-padrão decretadas há um mês, como a devolução de equipamentos e viaturas defeituosas.

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