Nazista no governo

 

Bolsonaro não quer assumir a pecha de nazista. Em
bora constitua hoje a maior expressão do radicalis-
mo à direita em toda a América Latina, o presidente brasileiro teve de ceder às pressões para demitir o secretário especial de Cultura Roberto Alvim. Ontem, depois de tomar para si as palavras do próprio Goebbels, Alvim foi posto pra fora do governo.
Para Alvim, o exercício artístico deveria estar submetido a um projeto de poder de inspiração nacionalista, obediente aos cânones do classicismo. E, para defender ponto de vista tão controverso, apelou para o ministro da propaganda de Hitler.
"A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", diz Alvim, em vídeo que foi retirado do ar, após a polêmica. Depois, não adiantou se desculpar, ainda menos como fez o secretário na berlinda, com o uso de meias palavras.
Quem teve de dizer tudo, com todas as letras, ainda que deixando transparecer a má vontade, foi Bolsonaro: "Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", postou o presidente no Facebook, no início da tarde de ontem.
Neste episódio, Bolsonaro se mostrou um ator razoável, capaz de interpretar um papel para ele ingrato. A bem da verdade, entretanto, ele e Alvim pensam de modo muito parecido, basta lembrar dos diversos casos de censura patrocinados pela presidência desde o início de seu mandato. Sem um pingo de compostura, o tal secretário foi rifado, como tinha de ser. Mas de nada adiantará trocar um nome por outro enquanto o próprio presidente insistir em impor limites à liberdade artística, a seu bel prazer.

Bolsonaro não quer assumir a pecha de nazista. Em bora constitua hoje a maior expressão do radicalis- mo à direita em toda a América Latina, o presidente brasileiro teve de ceder às pressões para demitir o secretário especial de Cultura Roberto Alvim. Ontem, depois de tomar para si as palavras do próprio Goebbels, Alvim foi posto pra fora do governo.
Para Alvim, o exercício artístico deveria estar submetido a um projeto de poder de inspiração nacionalista, obediente aos cânones do classicismo. E, para defender ponto de vista tão controverso, apelou para o ministro da propaganda de Hitler.
"A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", diz Alvim, em vídeo que foi retirado do ar, após a polêmica. Depois, não adiantou se desculpar, ainda menos como fez o secretário na berlinda, com o uso de meias palavras.
Quem teve de dizer tudo, com todas as letras, ainda que deixando transparecer a má vontade, foi Bolsonaro: "Comunico o desligamento de Roberto Alvim da Secretaria de Cultura do Governo. Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência", postou o presidente no Facebook, no início da tarde de ontem.
Neste episódio, Bolsonaro se mostrou um ator razoável, capaz de interpretar um papel para ele ingrato. A bem da verdade, entretanto, ele e Alvim pensam de modo muito parecido, basta lembrar dos diversos casos de censura patrocinados pela presidência desde o início de seu mandato. Sem um pingo de compostura, o tal secretário foi rifado, como tinha de ser. Mas de nada adiantará trocar um nome por outro enquanto o próprio presidente insistir em impor limites à liberdade artística, a seu bel prazer.

 

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