Parece piada de português. O presidente Jair Bolsonaro pensa como um negacionista, fala como um negacionista, comporta-se como um negacionista. Ainda assim, repudia qualquer menção ao negacionismo declarado de modo ostensivo.
A bola da vez é o passaporte da vacina. O presidente brasileiro compara a exigência de imunização a uma coleira. Embora se recuse a dar o braço à agulha e faça questão de lançar dúvidas sobre a eficácia dos imunizantes produzidos por diferentes laboratórios, ele alega que o governo federal já comprou milhões de doses da vacina.
De fato, apesar de todos os pesares, o Plano Nacional de Imunização avança a contento. Mas é preciso notar que a campanha de vacinação jamais contou com o apoio declarado de Bolsonaro. Desde o início da pandemia, o seu empenho esteve concentrado em empurrar cloroquina na goela dos brasileiros.
O passaporte da vacina é uma medida civilizadora, mais do que necessário. Tanto que já é adotado em diversas cidades, uma condição incontornável à retomada da atividade econômica. Bares, restaurantes, cinemas, teatros e outros estabelecimentos precisam abrir as portas, encher de gente, o quanto antes. Mas de forma segura.
Recentemente, devido à preocupação com a variante ômicron do coronavírus, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sugeriu que o governo federal exija a vacinação contra a covid-19 nos portos e aeroportos do Brasil, como já fazem diversos países. E, desde então, apanha todos os dias, vítima da boca porca do presidente.


