Zica, dengue, chikungunya, covid… Associados à ne- gligência, os vírus sempre sepultaram mais gente do que seria desejável. Em Aracaju, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, são registrados até 80 novos casos de Aids, por mês.
A informação não é novidade. Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, ano passado, confirmou uma tendência preocupante, já apontada pela Organização Mundial de Saúde. O horror difundido no auge da epidemia de Aids deu lugar ao descuido. Livre do estigma fatal, o mal se espalha.
Crianças sergipanas seguem sendo diagnosticadas com o vírus. Desde 1987, já foram registrados 125 casos de crianças contaminadas através da transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho, no momento do parto. Apesar da assistência especializada oferecida pela SES, 22 crianças foram a óbito.
Aqui, como de resto no País inteiro. Os números relacionados à propagação do vírus da Aids entre os brasileiros são assustadores. Embora o diagnóstico não represente mais uma sentença de morte, como no início da epidemia, a infecção pelo HIV, sexualmente transmissível, ainda exige cuidados e acompanhamento médico que, além de dispendiosos, não eliminam o vírus do organismo. A garantia de conforto e qualidade de vida derivada do tratamento adequado, no entanto, vem resultando em descaso. Cresce a população infectada, mundo afora.
Segundo estimativa da OMS, 160 mil brasileiros hospedam o HIV sem saber. O Boletim Epidemiológico de HIV/Aids mais recente destacou o pouco caso com a doença. Das 670 mil pessoas diagnosticadas, cerca de 129 mil não estavam se tratando. Uma prova de que o estigma de uma doença fatal deu lugar à negligência.


