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Nem só de picolé de chuchu vive o eleitorado sergipano


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Publicado em 29 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Antonio Passos

Os sergipanos têm demonstrado a sua particular sabedoria política eleição após eleição… Ao menos nas duas principais disputas locais: as votações para governador e prefeito da capital.
Todo mundo sabe que grande parte dos votos são comprados, de diversas formas: o poderio da propaganda paga, a distribuição de recursos entre lideranças comunitárias etc, etc, etc.
Porém, isso não é tudo. Como o voto continua secreto, forma-se a cada pleito uma arredia onda de opinião que cresce e é despejada nas urnas, cravando o resultado.
Diante do grande acirramento político e extremismo que explodiu no Brasil a partir de 2016 a estratégia do mercado eleitoral sergipano tem sido se manter em cima do muro.
Em silêncio, os sergipanos demonstram entender o risco de eleger candidaturas com muita explicitude programática. Assim, têm feito seguidas escolhas pelo picolé de chuchu.
Nesse malabarismo a eleição para governador torna-se mais dramática, por coincidir com a disputa para presidente da república, e o pleito municipal levemente distendido.
Por essa lógica a vitória de Mitidieri em 2022 está diretamente relacionada à milimétrica disputa eleitoral entre Lula e Bolsonaro até o último instante.
Caso Lula tivesse sido eleito no primeiro turno o governador hoje poderia ser Rogério Carvalho. Mas, a incerteza nacional fez os sergipanos puxarem o freio de mão.
O próprio Edvaldo Nogueira, um aguerrido revolucionário no século passado, optou por uma roupagem insossa para a reeleição em 2020. Por isso a saída do PCdoB.
Contudo, eleger sucessivamente candidatos sem o tempero do idealismo político também cansa. É excesso de acomodação até para o nosso tradicional conservadorismo.
Isso me faz acreditar que está aberta uma janela agora em 2024: o paladar eleitoral, carente de candidaturas mais saborosas, poderá abandonar os picolés de chuchu.
Claro que isso não significa cair de boca em pratos cheios de azedume, mas, um sorvete de coco ou de mangaba certamente será bem-vindo ao cardápio das candidaturas.

* Antonio Passos é jornalista

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