Infelizmente, a democratização do acesso ao ensino de terceiro grau não é bem visto por todo mundo
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é sagrado. Para preservá-lo, todo cuidado é pouco. Ao vetar o trecho relacionado ao Enem no bojo do Novo Ensino Médio, sancionado ontem, o presidente Lula se antecipou a possíveis obstáculos na aplicação da prova. Os estudantes agradecem.
O governo argumentou que a cobrança do conteúdo flexível “poderia comprometer a equivalência das provas, afetar as condições de isonomia na participação dos processos seletivos e aprofundar as desigualdades de acesso ao ensino superior”.
O veto voltará para análise dos parlamentares, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo. Convém, portanto, permanecer atento. Infelizmente, a democratização do acesso ao ensino de terceiro grau não é bem visto por todo mundo.
O Enem, convém mencionar, é hoje a principal porta de entrada utilizada pelos estudantes brasileiros para ingressar nas universidades. Avesso à decoreba dos cursinhos especializados no antigo exame vestibular, no qual os candidatos eram obrigados a repetir fórmulas prontas, feito animais adestrados, o novo modelo de seleção deu um passo importante no sentido de aperfeiçoar o acesso ao ensino de terceiro grau, privilegiando a capacidade de argumentação e o raciocínio lógico.
Nota dez, portanto, para o Enem.

