Manuel Rui
O caso e exemplo mais significativo de manipulação de umpovo deve ter sido o da Alemanha de Hitler, com os símbolos como a suástica, as fardas, as saudações, viva Hitler, a Alemanha acima de tudo, as mulheres nas fábricas de material de guerra a libertarem os homens para outras tarefas, principalmente as da guerra, o culto da personalidade e a certeza de que a Alemanha ia ganhar, porque era a raça eleita e era preciso eliminar os judeus, exacerbando o culto do ódio efazendo do pathos político como um pensamento religioso e fideísta.
Foi assim Bolsonaro, estabelecendo a diferença em relação ao passado com mitologias de fácil compreensão a partir do falso que se torna em populismo imediatista mesmo nas palavras que se utilizam para exprimir o óbvio.
Começou por colocar a martirológica facada como um símbolo, empunhar um espingardão e gritando contra os petistas, Deus, acima de tudo, depois a trilogia fascista Deus, pátria e família e o seu lugar escolhido por Deus. Ainda as passeatas de moto ou a cavalo, a camisa da seleção canarinha, o machismo e a aliança com grupos religiosos e a politização das forças armadas. As repetições constantes contras as urnas eletrónicas e o culto do ódio conflituoso contra o legislativo e até contra o Supremo Tribunal, fizeram dele um ditador que foi treinando como envenenar a mente dos incautos, dos desempregados e dos mais pobres, salvo os favelados que têm a sorte de ver as coisas lá de cima dos morros.
E assim foi sucessiva e intensamente usando as fake news (mentiras) com o instrumento que outros não tiveram que são as redes sociais, fazendo crer que os outros é que mentem e é preciso combater a mentira. É preciso dar dinheiro a quem precisa para que vote nele. Isto já foi tudo explicado mas faltou a inteligência que imita Trump e dá uma de Capitólio cheio de asneiras, imitação de golpe de estado sem sentido, só quebra-quebra, destruição, com a polícia a olhar para os terroristas, em cumplicidade ou faz de conta.
No entanto, o assalto, previamente anunciado com acampamento montado de véspera era a prova de que Lula ganhara as eleições por pouco mas não ganhara o poder que poderá ganhar agora porque o outro fez a imbecilidade que acaba com a pergunta e agora? Terá havido financiamento, cabecilhas, mas faltou o golpe final que só poderia ser dado pelas forças armadas já com homens para assumir a governação e assim falhou o golpe de estado continuado.
Vi as imagens da arruaça e parecia cinema de animação, bonecos animados que depois se terão visto na televisão a partir símbolos, até a derrubarem a estátua de Rui Barbosa. Isto vai sobrar para os analistas sociais.
Mas a intolerância vai ao extremo de Bolsonaro mandar uma equipa para preparar a sua viagem aos Estados Unidos, de férias, ainda presidente e em vésperas de passar a faixa. Depois deslocou-se com uma comitiva não sei de quantas pessoas. Quem pagou estas hospedagens todas? E quando deixou de ser presidente quem continuou a pagar a estadia?
Foi preciso este tremendo erro condenado pela comunidade internacional incluindo a Ucrânia e a Rússia para Lula ter espaço real para resolver esta crise, descobrir o dinheiro para a resolver, com restauro dos edifícios dos três poderes, outras obras, gastar dinheiro com a justiça e um verdadeiro exército de presidiários para alojar que será mais um encargo para o povo que acaba pagando comida e dormida para aqueles vândalos que fizeram afesta sem largarem um foguete…
O Congresso americano pensou em extraditar Bolsonaro mas o ministro da justiça brasileiro diz que não tem elementos para acusar Bolsonaro para depois pedir a extradição…ou será que o governo (e muita gente) não querem que o feiticeiro volte? Mas tem outro jeito jurídico americano: a expulsão, vai-se buscar o fulano e mete-se num avião para o Brasil. E outra vez os bonecos animados ou aquela sobre a guerra do saudoso artista português Raul Solnado: “Meu capitão, fiz um prisioneiro. Onde está? Não quis vir.”
E caímos nesta que é chaplinesca, do cinema mudo de Charlot. Os brasileiros têm medo que Bolsonaro volte e Bolsonaro tem medo de voltar ao Brasil…
Os dois filhos de Bolsonaro que andaram sempre na intolerância, parece que já foram bater à porta da embaixada de Itália…e consta que Bolsonaro se quer exilar em Itália, com governo de extrema direita da sra. Giorgia Meloni, as voltas que o Brasil deu com uma cidade que eu gosto, Brasília, de clima igual ao do Huambo e aquele hotel Juscelino Kubitschek, nome do presidente que concretizou a ideia de interiorizar a capital, ideia que alguns afirmam vinha desde o Marquês de Pombal.
A concepção foi de um dos maiores arquitetos do mundo Oscar Niemeyer que era do nível do francês Courvoisier.Oscar fluiu de uma convicção básica: “de curvas é feito o universo, o universo curvo de Einstein!” O artista conseguiu linhas sinuosas que parecem desafiar as leis da física, a grandiosidade de uma arquitetura que lembra um conjunto de esculturas semipousadas no solo… e vem um desgraçado bolsonarista e começa a partir. Porquê? Porque na escola não terá estudado Oscar Niemeyer e sentir orgulho desse seu grande compatriota…Nunca se deve tolerar a intolerância.
Manuel Rui é escritor e autor da letra do hino nacional de Angola


