O DIA INTERNACIONAL DA MULHER CLAMA POR JUSTIÇA

Vânia Azevedo

O inexplicável machismo… do passado, do presente e do futuro, que se perpetua de geração a geração, alimentando as promessas sob a luz do luar (que ao amanhecer já não mais lembrará), para fazê-la vítima quando o sol raiar; quando ela precisará obedecer, se quiser voltar a ver o sol se pôr. Assim vive o homem machista,insistindo em chamar de amor um sentimento de posse que maltrata, escraviza e pune a família, não livrando nem mesmo os próprios filhos.
Quando nos encontramos mais uma vez no 8 de março, data voltada para comemoração do Dia Internacional da Mulher, lamentavelmente precisamos atentar para o crescente número de feminicídios que torna as estatísticas de crimes dessa natureza tão ascendentes a ponto de nos fazer acreditar que a propagação estimula a prática.
Mesmo quando percebemos que o espaço da mulher vem sendo conquistado dia a dia,que a sua ascensão vem promovendo conquistas expressivas no universo da mulher, que a sua força e capacidade começa a ter reconhecimento, que a participação da mulher em cargos de comando tem se tornado uma realidade, isso é realmente animador. No entanto, todos os dias a mídia traz nos noticiários os crimes de feminicídio. Seus algozes, são homens que seguem (independente da classe social) agindo de forma brutal, primitiva, principalmente quando leva suas vítimas à morte. É claro que não estamos falando de amor, mas de um sentimento que o fez acreditar ser dono da mulher que escolheu como propriedade particular.
Enquanto a mulher se empodera e ganha visibilidade, é sabido que há homens que se sentem incomodados, especialmente quando a mulher detém o poder aquisitivo. Acostumados a ter o controle financeiro da instituição casamento, percebê-la independente, financeiramente, mexe com a autoestima masculina, desencadeando no homem uma frustração com a qual ainda não aprendeu a lidar. Por mais que isso possa parecer natural, ainda é um grande tabu e tem sido o motivo de muitos casamentos dissolverem-se. Até mesmo lidar com a nova realidade de ter uma mulher como chefe, no seu ambiente de trabalho, para alguns homens, tem se constituído motivo de insatisfação e revolta.
Porém, ainda que, por longos anos a história a tenha reservado uma atuação de bastidores, o momento lhe propõe um protagonismo que ela tem sabido exercer brilhantemente, e que promete não mais deixar. Na verdade, o seu protagonismo sempre foi uma realidade, ainda que de forma velada. Hoje, quando ela vem conquistando novos espaços no campo de trabalho, ser mãe, dona de casa, mulher e amiga, são atividades inerentes à figura da mulher que, como ninguém, sabe extrair da fragilidade a força que detém.
Por tudo isso, parabéns a todas as mulheres que sabem do seu valor, que não julgam umas às outras, mas, que compreendem as dificuldades daquelas que até hoje seguem reféns de uma relação que às escravizam e destrói a autoestima da mulher. Que possamos estender a mão a essas mulheres e fazê-las perceber do que podem e do que são capazes.
Não ao assédio moral! Não ao assédio sexual! Nenhum abuso é aceitável!
VAMOS DENUNCIAR OS MAUS TRATOS!

Vânia Azevedo é professora

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