O julgamento do século

A História do Brasil é marcada por esforços recorrentes de ruptura democrática, bem-sucedidos ou não, todos impunes

Não é exagero afirmar que o mundo inteiro está de olho no Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Com transmissão ao vivo, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe para se manter no poder, pode definir os rumos da República e servir de exemplo para as Democracias ocidentais.
As sessões do julgamento vão se estender por duas semanas, a partir de hoje. O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, marcou sessões extraordinárias para analisar o caso de Bolsonaro e de outros personagens de vulto envolvidos na trama golpista, de acordo com a acusação da Procuradoria Geral da República. A expectativa é imensa.
Vão a julgamento, além de Bolsonaro, Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência; Almir Garnier Santos, almirante e ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública do DF e ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; Paulo Sérgio Nogueira, general da reserva e ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.
Não é a primeira vez que um ex-presidente vai a julgamento no Brasil. É inédito, entretanto, que uma intentona golpista como o 08 de janeiro redunde em responsabilização.
A História do Brasil é marcada por esforços recorrentes de ruptura democrática, bem-sucedidos ou não, todos impunes. Os generais no banco dos réus, certamente não contavam com a guinada esperada neste que já é chamado “O julgamento do século”.
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