Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Criada no dia 24 de outubro de 1945, com sede em Nova York (EUA), a Organização das Nações Unidas nasceu num contexto de pós Segunda Guerra Mundial. Com o propósito de buscar manter a paz e aproximar as nações, nem sempre a ONU foi feliz em suas investidas. Entretanto, sob a atual liderança do português António Guterres, seu Secretário Geral, o órgão segue sendo uma grande referência internacional, uma tribuna para importantes pautas mundiais. Portanto, um lugar que merece respeito e onde seus líderes e convidados deveriam se portar com um mínimo de elegância e cordialidade.
A última passagem de uma comitiva oficial brasileira pelos EUA, para participar da tradicional Assembleia Geral das Nações, foi um fiasco e colocou o Brasil numa condição mais do que vergonhosa e constrangedora. O Presidente da República, que abre como de costume a sessão, protagonizou uma cena no mínimo desconfortável para a nação, com um discurso radical, falho e anticiência, com dados que não correspondem ao Brasil real, que passa fome, que morre diariamente de COVID-19, que sofre com o desemprego, com a inflação e com uma série infindável de mazelas cada vez mais agravadas.
A Assembleia Geral das Nações acontece desde 1945. E desde então, excetuando os últimos três anos, sempre fomos destaque, com participações icônicas e representativas a exemplo do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, em 2003, encantando a todos com uma apresentação musical que contou, inclusive, com a colaboração do Secretário Geral à época, Kofi Annan. Entre as manchetes internacionais: "O Brasil fez bonito na ONU".
Não bastasse a participação polêmica do Presidente da República, sem estar devidamente vacinado contra a COVID-19, uma série de outros episódios marcaram negativamente a última passagem do Brasil pela Assembleia Geral das Nações esta semana. Para coroar o circo de vergonhas e imbecilidades, o Ministro da Saúde, em represália a pessoas que protestavam contra o Governo, raivosamente, de dentro de um veículo, apontou com as duas mãos o dedo do meio. Detalhe importante: ele já estava com a COVID-19, como se confirmou em seguida.
Papelão? Mais do que isso. Vergonha alheia? Bem mais! Para além da falta de educação e de compostura, um ato machista, que pode em si revelar a índole de sujeitos que estão aos montes nas esferas públicas do Brasil no tempo presente. Sujeitos criados num tempo em que ser macho era ostentar o tamanho do falo, em grande medida e pornograficamente representado pelo dedo do meio em riste.
Nesse sentido, cabe trazer à tona uma das mentes mais brilhantes do mundo. O austríaco Sigmund Schlomo Freud (1856-1939), falecido há 82 anos. Considerado o pai da psicanálise, Freud tornou-se célebre pelas análises em torno da formação sexual das pessoas, notadamente pelo famoso "complexo de Édipo". Concebendo o desejo sexual como "energia motivacional primária da vida humana", ele entendia que o comportamento humano poderia em grande medida ser explicado por esse viés.
Médico de formação, é bem provável que o Ministro da Saúde tenha lido Freud. Se sim ou se não, diante da cena que protagonizou nos EUA, eu recomendo que ele faça terapia. Tenho feito há alguns meses e está me fazendo muito bem. Digo assim, pois fica claro que somente Freud é capaz de explicar tamanho destempero. A propósito, Ministro, lhe desejo saúde e que o senhor se restabeleça o mais rapidamente possível para retomar seu trabalho nesses tempos de pandemia, ainda a desejar, frise-se.


