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O MINOTUARO VERDEAMARELO


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Publicado em 22 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Lelê Teles

A mitologia minotáurica tem sua versão brazuca.
Cordelistas nacionais contam que essa horrenda criatura – metade homem, metade gado -, está aprisionada em um labirinto que ela própria construiu.
Já aí nota-se a diferença entre o nosso mito e o mito grego.
O nosso nasce, e nisso concordam todos os cordelistas que consultei, da cruza entre os militares e a midiazona.
Leio em um cordel que durante a ditadura militar, a mídia nacional se apaixonou pelos milicos e, durante anos, trocaram afagos e afetos.
A turma de farda, como sabemos, são como as vacas indianas, intocáveis.
Porém, não são incomíveis, desde que o comer seja metafórico e para fins reprodutivos.
Foi nessa toada que os barões da mídia se meteram nessa zoófila parafilia.
Como resultado, nasceu, do ventre dessa vaca sagrada, o nosso monitauro verdeamarelo.
E, assim, a vaca foi pro brejo.
Ainda bezerro, mino foi embalado no regaço da bela Luciana Gimenes, que ficou encarregada de amamentá-lo.
Coube aos intrépidos e brincantes CQC e Pânico na Tevê o papel de entreter o bichinho.
Foi ali que a pequena criatura deu seus primeiros mugidos.
Quando se tornou garrote, abriram a porteira e o deixaram livre para dar coices e pinotes no ratinho, no Jornal Nacional e nos jornais de enrolar peixe.
Os chifres começaram a brotar, ainda segundo os cordéis, quando mino se aproximou de valdemar da costa neto que, perto do nosso fagueiro garrotinho, já era um bípede búfalo bufante e parrudo.
Mas não é só o chifre que dignifica um minotauro.
Enquanto lhe crescia a galhada, o danado passou a encorpar.
Sua ração era um mix de viagra, farofa de frango e leite condensado.
Nutrido por essa estranha farinata, em pouco tempo mino taurificou-se e tornou-se líder de um grande rebanho.
Chegou mesmo liderar uma espécie híbrida, chamada motoboi, que são uns centauros cornificados, cujas patas parecem rodas.
Sabe-se que o nosso mitológico vacum, tal qual o seu homônimo grego, alimenta-se, também, de pessoas vivas.
Foi ele mesmo quem mugiu, certa vez, que usava verba pública pra comer gente.
O primeiro que ele comeu foi o major Olímpio; em seguida, mastigou Bebiano, depois devorou Frota, mais adiante papou Joice.
Aí veio a pandemia do coronga e percebeu-se que o danado tinha uma fome insaciável.
Passou, inclusive, a ingerir pix, joias e imóveis.
A dieta descuidada lhe provoca refluxos, prisões de ventre e bucho quebrado.
Por anos, mino pastou pelo gramado da Esplanada, livre, leve e solto.
Passou a fazer na vida pública o que fazia na privada.
Cagando e andando, como se diz na linguagem bovina, indiferente a tudo e a todos.
Até que um dia, do nada, surgiu um Teseu: careca, espada em punho e com uma capa preta nas costas.
O tesão de teseu é churrasquear o minotauro.
Qsando a Constituição como um fio de ariadne e conhecedor da heráldica arquitetura de dédalo, o piroca adentrou, corajosamente, o sinistro e obscuro labirinto.
Lá encontrou diversas carcaças pelo caminho: ligações miliciosas, falso cartão de vacinação, minuta de golpe, abin paralela, gabinete do ódio, falcatruas com joias, pegadas de lavagem de grana e formação de quadrilha…
Uma infinidade de cacarecos.
O diabo se vê, agora, encurralado.
Em breve, o nosso estranho minotauro será recolhido a um curral federal, com porteira de ferro.
Sua despedida do mundo livre será em cima de um trio elétrico, ao lado de Malafaia, o bezerro de ouro.
Por ter conseguido entrar na mente do minotauro, o nosso teseu trocará a toga pelo manto de Arthur Bispo do Rosário.
E, por essa brava tauromaquia, entrará para o anedotário popular como o senhor dos labirintos.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

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