* Rômulo Rodrigues
Por mais que o aparato de comunicação do Sistema Globo produza suas narrativas com variadas doses de terror, intercaladas por intensas manifestações de bajulações, a renúncia do candidato democrata Joe Biden, abre a possibilidade de outro debate por aqui, quando se lê que com a desistência do presidente concorrer à reeleição, vêm as manchetes anunciando que as doações em dinheiro para a próxima candidatura dispararam.
Então, cabe a indagação; são doadores ou, melhor dizendo, investidores que definem candidaturas? Ou melhor, perguntando; a democracia nos EUA é regida pela lei da oferta e da procura ou, de compra e venda?
Isso leva a crer que as narrativas sórdidas contra o financiamento público de campanhas no Brasil podem estar ligados às mesmas fontes de condenações do sistema de votação e apuração dos votos.
Ora, pois, se o sistema brasileiro continuar evoluindo conforme vem acontecendo, amparado na crescente importância do país no mundo, os países e donos do dinheiro estarão ameaçados de pela via de eleições exercitarem suas táticas de dominação por guerras híbridas.
O ufanismo por aqui continua pela exaltação ao decrépito candidato defenestrado como foi alardeado por uma jornalista carimbada ao escrever: “Ao passar o bastão para Kamala, Biden preserva seu legado e reabre o jogo”.
Mais ridículo do que a manchete é o recheio do “Hot dog”; “a aula de política e de timing político dos democratas nesse último domingo muda o jogo e merece destaque especial”.
Quer dizer que devemos louvar a frase de Nelson Rodrigues sobre a conquista da copa do mundo de 1958 na Suécia; “A Europa se curva ante o Brasil, por; ao sentir que ia ser cristianizado Joe Biden, pega seu chapéu, dá no pé e fica a certeza que os EUA se curvam ante o Brasil”?
A saída de cena de Joe Biden já era prevista e necessária para dar a pretensa isenção e seriedade ao processo eleitoral do império e não teve nada de nobreza de seu ninguém. Foi uma decisão dos apoiadores financeiros de não comprarem ações em queda. Está difícil de entender ou querem que desenhe?
É claro que o Partido Midiático vai massificar suas narrativas de que o mundo está paralisado aguardando o desfecho da eleição para provar obediência a quem edita suas pautas.
Taxar como democracia referencial para o mundo um país em que uma eleição presidencial demora dias para ser apurada e constar que teve uma em que o vencedor teve menos votos contados que o candidato derrotado é ser exemplo de subserviência de uma nação a outra.
No Jornal Nacional da segunda feira 22 de julho, os repórteres e apresentadores encenaram todo o enredo como se fosse aqui e, passando o tempo inteiro ideias e imagens como se no centro dos acontecimentos existissem dois atores distintos nas suas missões; um representando o herói que estava se sacrificando para o bem da humanidade e o outro um bandido sanguinário do Arizona, como cantou Moreira da Silva.
Coisa nenhuma, ali ninguém altera a política de Estado de invadir países, derrubar governos democráticos, bloquear economias que não se submetam a seus caprichos e estar por trás de duas guerras que mataram e estão matando milhares de civis, mulheres e crianças.
Diferente do império agressor que considera uma parte do mundo seu quintal; o governo do Brasil atua decisivamente para que todos os países sejam soberanos e respeitem as regras do Estado Democrático de Direito.
No momento em que a Venezuela vive um processo de eleição presidencial, tratada com narrativas distorcidas pela mídia patronal, o posicionamento do presidente Lula, para que prevaleça o principio democrático, dado em entrevista coletiva à correspondentes de agencias de noticias, foi totalmente ignorado.
Lula disse que conversou duas vezes com o presidente Nicolás Maduro da Venezuela e enfatizou que o país se fortalece com um resultado eleitoral que seja respeitado por todo mundo.
Lá na terra do Tio Sam, não tem estadista com o perfil do presidente brasileiro. Lá, quem sair vencedor, vai querer falar com a Venezuela a mesma linguagem de violência costumeira; ou se rende, ou será massacrada.
Enquanto o mundo civilizado está apontando que a discussão da geopolítica está acima da discussão da inflação, a corja comandada pelo império de O Globo tenta sufocar a economia do país com a desgastada pauta do arcabouço fiscal.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


