* Rômulo Rodrigues
O que parece mais claro é que foi uma ação estratégica da extrema direita comandada pelo governador Claudio Castro para incluir o Brasil no mapa de países que apoiam e dão guarida ao terrorismo internacional Não foi à toa que a guerra foi planejada como a construção de um grande fato político em virtude de que a constatação do avanço do Comando Vermelho sobre territórios controlados pelas milícias, no tempo certo para tirar o foco das notícias do sucesso do Brasil e do presidente Lula no mundo, além dos resultados alvissareiros no desempenho da economia com números nunca vistos antes na história do país.
O contra-ataque já está se tornando inevitável e está muito claro no engajamento da imprensa patronal que aproveita a chacina planejada como a principal bandeira da extrema direita para as eleições de 2026.
É assustador ler e ouvir que o governador Claudio Castro fez questão de ligar para Donald Trump que a operação de combate ao terrorismo tinha sido um sucesso; porém, dando alguns passos atrás, aparece uma verdade incontestável que é; as operações anteriores foram; 117 fuzis apreendidos no condomínio Vivendas da Barra, na casa vizinha do presidente Jair Bolsonaro de propriedade do seu amigo Rony Lessa que está preso acusado de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista.
Outra apreensão de 68 fuzis e 12 pistolas em uma loja em Nova Iguaçu, mais outra no Galeão, de 60 fuzis, vindos dos EUA, todas sem nenhum disparo efetuado; sem contar com a maior operação organizada no país que aconteceu recente na Faria Lima, nenhuma realizada em favela e em nenhuma houve morticínio, em que pese uma delas ter sido realizada em um núcleo central do crime organizado, a célula máster da lavagem de dinheiro da elite criminosa.
A operação de invasão militar no complexo do Alemão e em um morro da Penha não foi sem planejamento embora cantada como um sucesso medido por número de cadáveres e apreensão de armas pesadas, foi planejada para que 7 governadores fascistas dessem vazão a seus instintos bélicos que mostraram em comum dois objetivos; 1) instalar o terror dentro da lógica que fatos assim conquistam eleitores e, 2) se submeterem via documento prévio ao domínio estadunidense classificando o crime organizado das milícias, que está dentro dos próprios governos, como terrorista e assim, conforme o desejo do senador Flávio Bolsonaro o governo do Tio Sam trazer para a Baia da Guanabara a mesma sanha assassina que usa no mar do Caribe e no Oceano Pacífico contra supostos e não comprovados narcotraficantes que; supostamente levam drogas para o maior mercado consumidor; o do EUA.
Sentindo-se fortalecido o governador Claudio Castro ameaçou o ministro do STF Alexandre de Moraes que se dispõe a ir ao Rio de Janeiro inquiri-lo sobre o morticínio de mais de 130 seres humanos e diz que vai prendê-lo, num sinal explícito de que está com medo de que o ministro decifre o enigma da armadilha que ele e seus pares de outros estados estavam construindo para dar outro Golpe de Estado, pedindo uma GLO, irmã gêmea da que foi abortada em 8 de janeiro de 2023.
Ele e seus pares sabem e temem Alexandre de Moraes porque o bem provável é que ele tem consciência que as organizações criminosas que dominam determinados territórios sob as responsabilidades do governador não devem ser classificadas como terroristas e sim, como milícias, que são bases de apoio eleitoral do governador e seus aliados dos partidos políticos que lhe dão sustentação como comprova declarações do deputado federal e pastor da igreja do Silas Malafaia, Sóstenes Cavalcante, ao dizer que a operação cumpriu seu intento que era encurralar as esquerdas.
Então, governador; valeu a pena matar 121 pessoas para encurralar uma posição política que defende os direitos humanos? Claro que não, mas mesmo assim vibram com o que afirmam ser um sucesso sem apresentar quantos doleiros foram presos ou abatidos, se derrubaram algum jatinho que transportava pó, se tinha alguém da Faria Lima entocado nos morros e os empresários das CACS que forneceram os fuzis dos traficantes, sem que nenhum dos mortos constava da denúncia do MPE?
Entretanto, mais de 60 cadáveres, alguns algemados, apresentavam os rostos dilacerados para não serem identificados e, é por isso que o senhor é contra a PEC da segurança, para que não atinja suas fontes de financiamentos? Ou será que foi por distração que todas as câmeras corporais estavam desligadas?
Na etapa atual da estratégia de entrega do Brasil para o domínio dos EUA, o consórcio pró-entreguismo formado pelos governadores Claudio Castro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, Jorginho Melo e o senador Flavio Bolsonaro supostamente, orientados pela CIA, construíram esta farsa para retomarem o poder pelo golpe e para tanto sobem o tom da narrativa de que toda a responsabilidade com a insegurança que promovem em seus territórios será facilmente absorvida pelas populações como responsabilidade do governo federal, que se nega a cair na esparrela de convocar a GLO face as agitações que provocarem.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


