Rômulo Rodrigues
Nesse domingo 4 de setembro os chilenos foram às ruas para aprovar, ou não, em plebiscito, uma nova constituição.
Antes, porém, em 19 de dezembro de 2021 foram às urna e em segundo turno elegeram um candidato de esquerda Gabriel Boric, derrotando o da direita José AntônioKast e despertaram em Nosotros, Hermanos, um sentimento de que a direita caminha para o seu sepulcro caiado em toda a América do Sul.
A pá de cal desse domingo recomenda muita cautela, chá de capim santo e canja de galinha, pelas bandas de cá.
Assim como o dinheiro em Wall Street, a extrema direita no nosso continente, jamais deverá ser dada como morta.
Na última eleição presidencial do Chile, País em que o voto não é obrigatório em 2021, haviam 14.936.123 eleitores e eleitoras aptos a votar, e o resultado do segundo turno foi: Boric, candidato da esquerda, 4.620.671 votos; Kast, candidato da direita, 3.649.647; não compareceram para votar; 6.665.805. Ou seja, votaram 8.270.318 o equivalente 55,37%.
Menos de 9 meses passados, com o novo governo, eleito por 31% dos eleitores qualificados, premido pelo grande contingente formado pelos que votaram na extrema direita e os que se omitiram de votar, 69% do eleitorado, colocou para uma consulta plebiscitária de uma grande bandeira da sua campanha para aprovação de uma nova constituinte, tendo como foco a democracia e a rejeição da cartilha econômica do desacreditado neoliberalismo e foi derrotado pelo placar de 4.860.093 para o Aprobo, contra 7.882.958 para o Rechazo; placar adverso de 38,32% contra 61,68%, num placar mui elástico.
Deve ser registrado que há ai, um grande perigo que a bandeira da direita e da extrema direita de implantar o voto não obrigatório, ou seja, facultativo.
Ora, se teve um substancial aumento no número de votantes entre o segundo turno da eleição presidencial para o plebiscito de domingo, de 8.270.318 para 12.683.051 ou seja, de 53%, é prova inconteste de que a extrema direita patrocinou uma grande mobilização popular para manter a constituição que lhe interessa para executar o grande cerco ao presidente recém empossado e não permitir avanços econômicos nem nos direitos dos trabalhadores.
Um dado importante é que no período entre as duas consultas, eleitoral e a plebiscitária, há indícios de que José Antônio Kast esteve no Brasil e fez reuniões com o grupo da crueldade que comanda o Brasil e levou várias proposta para disseminar na massa que esperava uma revolução imediata após a posse do novo governo que necessita, exatamente das mudanças proposta na nova constituição que, a mesma massa prejudicada rejeitou.
O papel mais fundamental foi do Partido Midiático que propagou o discurso de que com a nova constituição o Chile ria se transformar numa nova Venezuela e que a questão da água que já é precária para a maioria da população, por que é privatizada, mas a massificação diária conseguiu mobilizar o povo nos moldes das campanhas da Globo para por o povo nas ruas contra o governo Dilma, contra Lula e contra o Partido dos Trabalhadores.
Ou seja, a receita foi copiada daqui e utilizada com sucesso lá, mostrando que essa gente é capaz da maiores mentiras e distorções para manter seus privilégios de exploração das riquezas de um País e da escravização da mão de obra sem consciência de classe para manter intacto seus interesses.
A lição mais importante que deve ser aprendida por aqui, principalmente pelos democratas que ainda estão em partidos como o MDB e o PDT, principalmente, é que as candidaturas de Simone Tebet e Ciro Gomes, farão um grande favor à extrema direita do Brasil e do continente, se permitirem que a eleição presidencial vá para um desnecessário segundo turno.
O quase assassinato de Cristina Kirchner, na Argentina, não pode ser encarado como um simples atentado praticado por um neonazista qualquer, não acredito que tenha sido.
Também, a grande quantidade de candidatos à presidência da República, não faz parte de pluralidade alguma, é tão somente uma foram deles dizerem que existe democracia, ao modo deles.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


