* MIGUEL DOS SANTOS CERQUEIRA
O lavajatismo nasceu, se expandiu e procriou, devastando as empresas de engenharia brasileiras e todo seu entor no, extinguindo toda a indústria naval e as pretensões brasileiras de construção de submarino nuclear, graças ao bom-mocismo e ao ingênuo republicanismo das Esquerdas, que ascenderam ao comando da administração do Governo Central, em 1º de janeiro de 2003, com a vitória de Lula.
De fato, se não fora a candura e o absoluto otimismo de setores da Esquerda, que apostaram na conciliação de classes e acreditaram piamente que na condescendência da burguesia e na conformação de interesses com agentes dos Aparelhos de Estado, aquinhoando Órgãos e Instituições, como, por exemplo, o Ministério Público e a Polícia Federal, com poderes e atribuições que até mesmo se sobrepunham aos do Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, numa espécie de sobreposição, se esquecendo inteiramente das lições de Nicolau Maquiavel& nbsp;e também de Baltasar Gracián, para se ficar no campo do pensadores adeptos do republicanismo, como se até mesmo nãos tivessem lido, não se teria chegado a situação de anarquia no organograma institucional se dado vazão a loucura e a cupidez de demagogos e aventureiros.
Sem sombras de dúvidas, quando ascenderem ao comando do Poder Executivo, sem que de fato tivessem ascendido ao Poder, parte dos agrupamentos de Esquerda se esqueceram do velho dito espanhol "CRIA CORVOS E ELES TE COMERÃO OS OLHOS.", acalentando o sonho de um modelo de administração assentado nos postulados weberianos e num republicanismo piegas, esquecendo-se também da lição célebre de Aristóteles "a paixão perverte os Magistrados e os melhores homens: a inteligência sem paixão – eis a lei".
Ocorre que sobressaltados pela realidade, se deram conta que desde os tempos da velha República Romana, a regra não é a prevalência da ética, da impessoalidade, da moralidade, que âmbito das Republicas, no espaço dos Poderes de Estado não prevalece a supremacia do interesse público, mas na grande maioria das vezes são os interesses privados de grupos e de castas que se sobrepõem aos interesses da maioria.
Foi assim na Roma de antes de Júlio Cesar, constatação que o catapultou ao comando do Estado e ao estabelecimento da Ditadura, que culminou no seu assassínio. Foi assim na nascente Estados Unidos da América, como pode verificar da leitura da obra " A Democracia – Um romance americano" de Henry Adams.
Uma vez surpreendidos pela dura realidade, ainda assim continuaram a se comportar com o conhecido personagem de Voltaire, no conto "Cândido ou o Otimismo", prisioneiros de grande otimismo, acreditavam estarem a viver no melhor dos mundos. Daí os acordos e coligações com velhos e velhacos do antiquíssimo grupo do "é dando que se recebe", as alianças com a plutocracia, as concessões a grande mídia e aos reacionários e aproveitadores incrustados nos Aparelhos de Estado.
Acontece que, enquanto perdurou a "era de ouro", enquanto não foram contrariados interesses, como no caso da instalação da "Comissão da Verdade", enquanto as políticas de ações de ações afirmativas e de cotas não fizeram com que o âmbito das Universidades Públicas deixasse de ser exclusividade de pessoas brancas e de egressos das classes média, enquanto o programa chamado "Mais Médicos" não escancarou a sordidez da mercantilização da medicina, tudo anda muito bem e as mil maravilhas, o domínio das Esquerdas sobre o Poder Executivo e governo central era de certo modo tolerado.
Contudo, quando a contrariedade de interesses se escancarou, quando a prevalência de certos privilégios passou a ser ameaçada, iniciou-se a demonização e desmoralização das Esquerdas e a orquestração do surto de falso moralismo a que se apelidou "lavajatismo", "nova política" e coisa e tais.
Inequivocamente, o surto do chamado "lavajatismo" e de "nova política", se não os responsáveis pela debacle na economia, com a perpetração de toda sorte de estultice, que culminou com a destruição das grandes empresas brasileiras de engenharia, com a devastação da industrial naval, com a quase destruição da indústria brasileira de carnes e derivados, haja vista que as crises econômicas também deram o seu contributo, foram os principais.
Bom que se ressalte que a operação desencadeada por um Juiz da Comarca de Curitiba, por audaciosos procuradores e por agentes da Polícia Federal daquela mesma unidade da federação, o chamado "lavajatismo", sob a senha de combate a corrupção entranha na estrutura do Estado, foi, sobretudo, marcada pela seletividade, parcialidade, perversidade, exibicionismo, perseguindo preferencialmente um determinado partido político, visando exterminá-lo e prender os seus dirigentes, A operação foi é suma um movimento midiático, um conluio entre parte do Poder Judiciário, agentes da extrema direita travestidos de liberais, empresários frustrados ou reacionários. Foi um movimento que substituiu um espectro do campo político, sendo uma espécie de partido político oficioso.
O "lavajatismo" e chamada "nova política", em conluio com a grande mídia, o jornalismo mercantil, os inescrupulosos agentes de Aparelhos de Estado e membros de Poderes da República, notadamente do Poder Judiciário, são os responsáveis, em grande medida, pela anarquia institucional que tomou conta do país e pela ascensão da extrema direita ao comando do Poder Executivo e do Poder Legislativo. São eles os responsáveis pelas nuvens negras de um Estado de Exceção, aliás parte deles, aqueles que operam no Poder Judiciário não escondem as suas preferências por modelos jurídicos de exceção.
Todavia, como diz o provérbio popular, "NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE" e fato é que a anarquia institucional que se seguiu, ao aquinhoamento de poderes para Órgãos e Instituições, como, por exemplo, o Ministério Público e a Polícia Federal, que passaram a até mesmo s equestrarem competências do Poder Legislativo, do Poder Executivo e do Poder Judiciário, em decorrência da ingenuidade e candura do PT e se entorno, está chegando ao fim exatamente com a ascensão da extrema direita ao comando do Poder Executivo e do Poder Legislativo.
Sem embargo, ao contrário das forças de Esquerda, que sempre que ascendem ao comando de Poderes ou conquistam o Poder por força de revolução, acreditam que com a condescendência e concessões as forças que foram e são hostis, que na conformação de interesses com agentes dos Aparelhos de Estado, essas forças e segmentos não se voltarão contra si, os setores da Direita e a Extrema de Direita adotam o lema espanhol "CRIA CORVOS E ELES TE COMERÃO OS OLHOS."E não se descuidam da autopreservação.
De fato, não deixa de ser irônico, o "lavajatismo", a "nova política" e a grande mídia que giram e gravitam no entorno do falso moralismo estão sendo varridos e serão destronados, desmoralizados e enterrados justamente por aqueles que os sequazes desses movimentos elegeram como seus deuses mitológicos, que certamente, não se furtarão de depositar flores no mausoléu onde dormitará os ossos fétidos.
* MIGUEL DOS SANTOS CERQUEIRA, Defensor Público, estudioso de filosofia, história e política. Militante de Direitos Humanos e titular da Primeira Defensoria Pública Especial Cível do Estado de Sergipe. E-MAIL: migueladvocate@folha.com.br


