Gabriel Damásio
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O padre católico Márcio Gonzaga de Lima, 45 anos, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória (Sertão), foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de estupro de vulnerável. A informação foi confirmada ontem à tarde pelo delegado local Antônio Francisco de Oliveira, que já concluiu o inquérito policial e deve entregá-lo hoje ao juízo da Comarca de Glória. A denúncia anônima foi feita há cerca de duas semanas ao serviço Disque 100, do Ministério da Justiça, e indicou que um menino de 12 anos de idade foi abusado sexualmente pelo religioso. Márcio nega as acusações, mas foi afastado de suas funções por ordem do bispo da Diocese de Propriá, dom Mário Rino Sivieri, até que o caso seja esclarecido.
Segundo o delegado, o abuso foi confirmado em depoimento pelo garoto e pela mãe dele, que era freqüentadora da paróquia. Em entrevista à TV Sergipe, a mãe contou que soube do relacionamento pelo delegado e foi surpreendida com a confirmação do filho. "Pelo fato de eu ser de uma família muito católica, a gente imaginava que isso nunca iria acontecer. Se está com o padre, está guardado, não é? E a gente deixava, viajava com o padre, ia para a igreja, ia para a casa dele… ele vivia 24 horas com o padre", disse ela, admitindo que não suspeitava das viagens e nem dos presentes que Márcio costumava dar para o filho.
A mulher confirmou ainda que as relações sexuais entre o garoto e o padre começaram em agosto do ano passado e aconteceram em vários locais, incluindo a própria igreja e um apartamento pertencente ao religioso na zona sul de Aracaju. "Como é que uma pessoa se diz ser padre dá o Corpo de Cristo a uma sociedade e depois usa as crianças? Isso, pra mim, não é padre", revolta-se a mãe da vítima. Outros freqüentadores da igreja foram ouvidos pela polícia e disseram desconfiar da relação "muito próxima" entre Gonzaga e alguns rapazes, sendo alguns ainda na infância.
A situação do sacerdote complicou-se mais ainda com o depoimento de outro rapaz, hoje maior de idade, que também teve um relacionamento com o acusado enquanto era adolescente e igualmente alegou ter sido abusado sexualmente, mas nunca denunciou o caso publicamente por vergonha e receio de ser discriminado. "Eu perdi oportunidades de trabalho por esse motivo, porque a sociedade acha que eu sou o mentiroso de Glória, não é? Hoje as pessoas me olham de outra forma", lamentou ele, que está desempregado e faz tratamento contra a depressão.
Antônio Francisco deu poucos detalhes do inquérito, pois o mesmo está sob segredo de Justiça, mas confirmou que a peça foi concluída com depoimentos de todas as testemunhas e optou por não pedir a prisão do Padre Márcio, deixando a decisão a cargo do Ministério Público. Ele enquadrou o caso como estupro de vulnerável, que segundo o Artigo 217-A do Código Penal, consiste em "ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de catorze anos". A pena prevista para este crime é entre oito e 15 anos de prisão. Ouvido pelo "Portal Mais Glória", o padre Márcio Gonzaga negou as acusações da prometeu apresentar hoje sua versão para o caso. "É a palavra de uma criança. A acusação não procede. Qualquer pessoa pode acusar outro, mas apenas a justiça após ouvir os envolvidos solucionará o caso", disse o religioso.


