Vânia Azevedo
Assim como a cereja nos convida à degustação do bolo, o Parque Augusto Franco (Parque da Sementeira) atrai moradores e visitantes não somente por se constituir um cartão de visita de Aracaju, mas, sobretudo por ser um dos espaços mais agradáveis da cidade; além de uma convidativa opção de lazer e relaxamento para todos que o visitam. Nos convida diariamente ao lazer, à atividade física, à contemplação à natureza… uma espécie de pulmão auxiliar no coração de Aracaju, que inspira paz e nos convida a desfrutá-lo intensamente.
Parabéns, Aracaju! No momento em que a cidade completa168 anos, é intenso e pulsante o ritmo de progresso que a cidade vem experimentando enquanto cresce e se desenvolve. A sua população se renova constantemente com a chegada de jovens (a caminho da universidade) e profissionais de várias partes do país, portadores de mão de obra qualificada, que já vislumbram em Aracaju um campo profissional promissor. A eles se juntam também empresários que veem nesse pedaço do país uma terra promissora aos negócios. E assim, a população segue multiplicando-se mais rápido que cajueiro em plena safra,fruto do seu desenvolvimento equilibrado e belezas naturais que tanto atrai os visitantes;contribuindo para tornar-se mais convidativa que mangabeira de beira de estrada, quando o desejo se torna maior pela tentação do proibido.
E não para por aí: especial pelo seu eterno verão, o clima de Aracaju é do tipo tropical atlântico (predominantemente quente o ano inteiro), deixando claro que ir à praia é programa garantido para o ano inteiro, pois, mesmo quando a estação é úmida a praia estará sempre convidativa; e jogar-se na areia será sempre a melhor opção do dia, mesmo após uma noite atípica. Lembrando que, do amanhecer ao anoitecer, qualquer hora é hora para se saborear o extenso menu de frutos do mar e sucos de frutas regionais. E se é para se refrescar, nada como a refrescante água de coco, mais uma dádiva da natureza a nos brindar.
No entanto, é a excelente localização do Parque da Sementeira que, intrinsecamente, se constitui um convite à descontração. Concentra em extensa área verde uma diversidade de plantas e árvores frutíferas, destinadas ao acolhimento de pessoas das maisd iversas tribos e classes sociais, naturalmente em busca de lazer e momentos de entrega total. E essa entrega também pode ser ao esporte, à meditação, ao lazer, à música (tocar um instrumento ou cantar), em pleno contato com o gramado verde e convidativo. Definitivamente, o que fazer é o que menos importa. E se melhor lhe aprouver, simplesmente deleitar-se ouvindo o intermitente som do vento, que traz consigo o sugestivo perfume da natureza.
Oportunamente, é o momento que o indivíduo dispõe para marcar um encontro consigo mesmo, rever sua trajetória e, quem sabe, implementar uma mudança de rota: ações que encontram naquele local a atmosfera ideal para realinhar a caminhada, ou até mesmo retroceder, se assim achar conveniente.
E para os que buscam na natureza uma fonte de inspiração, saiba que por lá passaram muitos dos nossos poetas, escritores e compositores em busca da magia do lugar. Com destaque para o saudoso Déda, político de valor inquestionável, representado na figura de bronze do memorial que lhe foi destinado. Desde então, local preferido àqueles que só querem ouvir uma boa poesia, desfrutar da boa música popular brasileira ou, simplesmente, ouvir os pássaros enquanto desfruta da energia local.
E quando a noite chega, se por acaso cruzar com um corredor em treinamento e este lhe ignorar… Não o julgue. O momento é de foco, concentração, entrega… É quando sonhos são construídos como castelos, metas determinadas e decisões sedimentadas. A seu favor, a temperatura agradável que turbina o treino e faz a mente viajar – guiada pela imensa luz do luar, que o convida a segui-la sem hesitação -, convergindo para voltas e mais voltas de um treino (à primeira vista solitário, mas não se engane), tão produtivo quanto iluminado. Afinal, quem precisa de companhia quando tem a lua a lhe guiar?
Indiferente ao momento, o silêncio que ali faz morada é condição sine qua non para que a imersão ocorra e toda a energia tenha destino oportuno; até que o alvorecer aconteça e suas aquarelas reproduzam um espetáculo magistral; e os pássaros reproduzam o seu canto inebriante, pululem de galho em galho, frenéticos,como parte que lhes concerne ao cenário,a produzir sonoramente um encantamento de ordem natural.
Vânia Azevedo é professora


