A ausência de cobertura vacinal traduz perfeitamente o desamparo das políticas públicas de saúde no Brasil
Dez casos de meningite já foram confirmados em Sergipe, com uma vítima fatal. Ainda é cedo para falar em um surto, talvez. Mas é necessário que as autoridades tomem providências.
A vacina contra a meningite faz parte do calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. A ocorrência de novos casos da doença denuncia, portanto, o fracasso dos entes públicos aos quais é a atribuída a responsabilidade de promover a imunização.
Sem a vacina, ninguém está a salvo. Geralmente, as bactérias e vírus que causam a meningite se espalham de uma pessoa para outra por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. No caso dos Enterovírus, a contaminação é fecal-oral ou por contato próximo com pessoa ou superfície infectada. Já a meningite fúngica é transmitida por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) ou pelo contato com ambientes contaminados.
A ausência de cobertura vacinal, aliás, traduz perfeitamente o desamparo das políticas públicas de saúde no Brasil. Neste particular, a maior parte do trabalho já tinha sido realizado, alcançando a erradicação do vírus do sarampo e da poliomielite, por exemplo. Mas, recentemente, durante a pandemia de covid-19, o negacionismo científico ganhou volume e voto. O resultado é o retrocesso, flagrante.
Em Sergipe, uma menina de 11 anos, moradora da Barra dos Coqueiros, morreu. Outras meninas não precisam ter o mesmo destino triste de uma partida precoce, desnecessária.


