Domingo, 14 De Abril De 2024
       
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Petrobras adia novamente plataformas de Sergipe


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Publicado em 24 de fevereiro de 2024
Por Jornal Do Dia Se


Sem qualquer reação do governador Fábio Mitidieri e da bancada federal, a Petrobras anunciou, na segunda-feira (19), o adiamento por mais quatro meses do prazo de recebimento 
de propostas para afretamento de unidades de produção (FPSOs) para o projeto de Sergipe Águas Profundas (SEAP). É o terceiro adiamento da licitação, que foi lançada em abril de 2023 e previa a entrega das propostas em outubro daquele ano.
Um navio-plataforma terá capacidade de produzir 120 mil barris por dia (bpd) de óleo e 10 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural; O outro terá capacidade de 120 mil bpd de óleo e 12 milhões de m³/d de gás; O gasoduto terá 134 km e capacidade de 18 milhões de m³/d de gás natural.
Previsto inicialmente para 2027, o projeto SEAP foi adiado para 2028 na última revisão do plano estratégico da companhia. Já o gasoduto ficou para 2029. Caso mantenha o novo calendário da licitação, com o recebimento das propostas em 14 de junho, a empresa poderá conseguir seguir o planejamento; Em geral, um projeto do tipo leva três anos, da contratação ao primeiro óleo.
A manutenção da implantação das duas plataformas no estado para 2028 afasta, ao menos por enquanto, a possibilidade do adiamento para 2031, notícia divulgada com insistência no ano passado em publicações voltadas ao setor petrolífero. O novo adiamento – a previsão inicial começaria em 2026 – provoca prejuízos à economia estadual.
No último mês de agosto, durante o lançamento Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, chegou a ser anunciado um investimento de R$ 109 bilhões para viabilizar o projeto Sergipe Águas Profundas. Estariam incluídos nesse montante os navios plataformas (FPSO) voltados à produção de gás natural na bacia sergipana.
Os investimentos (CAPEX) previstos inicialmente para o período 2024-2028 totalizam US$ 102 bilhões, sendo US$ 91 bilhões correspondentes a projetos em implantação (carteira em implantação) e US$ 11 bilhões compostos por projetos em avaliação (carteira em avaliação), sujeitos a estudos adicionais de financiabilidade antes do início da contratação e execução. Quando concluídos os estudos e comprovada sua viabilidade econômica, esses projetos podem migrar para a Carteira em Implantação. O estudo de financiabilidade para projetos em avaliação é um item adicional à governança estabelecida de aprovação de projetos, que está mantida para ambas as carteiras.
A previsão dos investimentos a partir de 2029 dá um alento na economia estadual, já que a estatal havia vendido para a Carmo Energy (Grupo Cobra) as concessões de campos terrestres localizados em Sergipe. São 3 mil poços de petróleo em produção, 17 estações de tratamento de óleo, uma estação de gás em Carmópolis, aproximadamente 350 km de gasodutos e oleodutos, o Terminal Aquaviário de Aracaju (Tecarmo), o oleoduto Bonsucesso-Atalaia, uma unidade de processamento de gás natural e uma estação de processamento de óleo.
Antes da venda do Pólo de Carmópolis, a Petrobras já havia desativado a FPSO Piranema. FPSO significa Floating Production Storage and Offloading (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência). Instalada na Bacia Sergipe-Alagoas, litoral sul, na altura de Estância, a plataforma foi inaugurada em 2007 e tinha capacidade de produção de até 30 mil barris por dia de óleo e estocagem de 300 mil barris.
Em primeiro de abril de 2020, a Petrobras paralisou a produção nas plataformas de exploração de petróleo e gás natural em águas rasas no estado de Sergipe, desativou a sua sede em Aracaju e fechou o Tecarmo, terminal de processamento montado há mais de 40 anos na Atalaia que recebia todo o petróleo e gás extraído das plataformas, e era responsável pela distribuição de gás de cozinha para municípios de Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Em Sergipe, a companhia ainda tinha 27 plataformas marítimas de óleo e gás, sendo 26 em águas rasas, todas desativadas. O Campo de Guaricema, descoberto em 1968 e que foi a primeira exploração feita pela Petrobras no mar. Atualmente, Guaricema tem oito plataformas. As outras se estendem no litoral sergipano, pelos campos de Caioba (três), Camorim (10), Dourado (três), e Robalo (um).
Ao contrário da Petrobras nas décadas passadas, o grupo Cobra não tem qualquer compromisso com investimentos além da exploração de óleo e gás. Um exemplo disso foi a retomada da área onde funcionou o Petroclube, que reunia ex-funcionários da Petrobras, ao lado do Tecarmo.
O adiamento é mais uma derrota para o estado de Sergipe e mostra a falta de prestígio do governador e da classe política.
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