Para cair nas graças de Jair Bolso naro, os candidatos à Procurado ria Geral da República realizaram uma verdadeira campanha política, incluindo conversas a portas fechadas no Palácio do Planalto. Extraordinária, a mobilização tinha motivo. Segundo declarações do próprio presidente, o indicado teria de ser um aliado.
Dito e feito. O subprocurador Augusto Aras, anunciado por Bolsonaro, não constava na lista tríplice elaborada pelos membros do Ministério Público, por meio de votação interna. No entanto, algo do que o candidato falou em conversa privada com o presidente foi suficiente para fazê-lo merecedor de um suspeito voto de confiança. Agora, uma vez empossado, Augusto Aras terá de lidar com o pé atrás da população e de seus próprios pares.
A independência em relação ao governo de turno é de importância fundamental para o funcionamento exemplar do Ministério Público. Caberá ao futuro procurador dar a última palavra em diversas matérias de interesse pessoal do presidente. Não é razoável, portanto, que a sua nomeação se dê após corpo a corpo tão intenso. Embora a atuação do procurador geral tenha sim natureza técnica e também política, melhor seria o candidato ter evitado a suposição de um conchavo.
A Procuradoria Geral da República encontra-se hoje no vórtice de uma crise política ímpar, o olho do furacão. Nada mais natural, portanto, que a troca de guarda no seu comando seja acompanhada de tensões e expectativas as mais diversas. Após sucessão tão atrapalhada, para se impor acima de qualquer suspeita, Augusto Aras terá de andar na linha, pior do que um trem.


