Há uma espécie de "terraplanis- mo" instaurada no governo Bol- sonaro. Orientadas mais por convicção do que por conhecimento, todas as normas ditadas por iniciativa do Planalto negam a realidade concreta do País e do mundo.
É assim com a proposta de atualização do Código de Trânsito Brasileiro e também com as diretrizes da nova política sobre drogas do Governo Federal. Publicada no Diário Oficial da União, a Lei n° 13840 autoriza a internação compulsória de usuários.
Especialistas já avisaram que tal abordagem do problema é contraproducente. Além das questões relacionadas à saúde pública, a guerra às drogas também diz respeito às políticas públicas de segurança. É até irresponsável ignorar a relação entre o aumento da população carcerária e o tráfico. Apesar da falência do sistema, no entanto, o governo Bolsonaro sinaliza agora que vai continuar investindo no encarceramento em massa.
O tráfico de drogas é o crime que mais condena brasileiros ao xilindró. Isso, apesar da falência apontada pela Organização das Nações Unidas, que já recomendou a descriminalização do consumo de entorpecentes em documento público. Os objetivos da guerra às drogas nunca serão cumpridos. E as penas, pode ser constatado em qualquer cadeia tupiniquim, vão além de qualquer razoabilidade.
O extremo da Lei n° 13840 fala por si mesmo. Mais uma vez, o presidente Bolsonaro pega a contramão das medidas mais progressistas relacionadas ao problema. A criminalização do uso de drogas pode até atender aos apelos das parcelas menos bem informadas da população. Mas ninguém se livra da dependência química por decisão judicial.


