Saumíneo Nascimento
Os oceanos cobrem aproximadamen- te dois terços da superfície da Terra e projetam sua influência sobre todos nós. Fenômenos oceânicos desfavoráveis têm importantes repercussões no ambiente marinho costeiro e nas atividades socioeconômicas. As grandes aglomerações populacionais nas áreas costeiras, que dependem dos recursos costeiros e do ambiente marinho, estão permanentemente em risco e são vulneráveis a eventos climáticos marinhos extremos.
Oficialmente conforme catalogado pelo Ministério do Meio Ambiente, Sergipe tem os seguintes municípios costeiros: Neópolis, Ilha das Flores, Brejo Grande, Pacatuba, Pirambu, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas, Rosário do Catete, Maruim, Riachuelo, Laranjeiras, Nossa Senhora do Socorro, Aracaju, São Cristóvão, Itaporanga D´Ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba. Todos eles sofrem influência direta do Oceano Atlântico.
Por definição do Ministério do Meio Ambiente, uma zona costeira é o espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos ambientais, abrangendo as seguintes faixas:
Faixa Marítima – é a faixa que se estende mar afora distando 12 milhas marítimas das Linhas de Base estabelecidas de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, compreendendo a totalidade do Mar Territorial.
Faixa Terrestre – é a faixa do continente formada pelos municípios que sofrem influência direta dos fenômenos ocorrentes na Zona Costeira, a saber: a) os municípios defrontantes com o mar, assim considerados em listagem desta classe, estabelecida pelo Instituto Brasileiros de Geografia Estatística (IBGE); b) os municípios não defrontantes com o mar que se localizem nas regiões metropolitanas litorâneas; c) os municípios contíguos às grandes cidades e às capitais estaduais litorâneas, que apresentem processo de conurbação; d) os municípios próximos ao litoral, até 50 km da linha de costa, que aloquem, em seu território, atividades ou infra-estruturas de grande impacto ambiental sobre a Zona Costeira, ou ecossistemas costeiros de alta relevância; e) os municípios estuarinos-lagunares, mesmo que não diretamente defrontantes com o mar, dada a relevância destes ambientes para a dinâmica marítimo-litorânea; e f) os municípios que, mesmo não defrontantes com o mar, tenham todos seus limites estabelecidos com os municípios referidos nas alíneas anteriores.
Nós que vivemos em Sergipe precisamos conhecer melhor, estudar mais e principalmente cuidar mais do Oceano Atlântico, pois os oceanos fornecem alimentos, energia, água e hidrocarbonetos e recursos minerais de importância vital e são um componente essencial do sistema climático da Terra.
Hoje, eles são cada vez mais afetados pela pressão do desenvolvimento de áreas costeiras, poluição industrial e pesca excessiva. Por outro lado, eles também podem constituir um sério obstáculo ou ameaça às atividades humanas.
Enquanto Economista e Geógrafo penso que a proteção da vida e da propriedade no mar nas regiões costeiras precisam de um melhor gerenciamento integrado, pois as repercussões de alguns fenômenos, especialmente extremos a exemplo de tempestades e ondas altas ainda não são devidamente examinadas.
Precisamos conhecer mais o papel dos oceanos na variabilidade climática e nas mudanças climáticas, pois isso é uma questão de interesse global nos últimos anos.
Para as pessoas que trabalham no mar ou vivem perto da costa, como muitos sergipanos, as previsões sobre o clima marítimo e as condições do oceano podem ser tão importantes quanto as previsões sobre o clima em geral.
A possibilidade de ocorrência de mares agitados, ondas gigantes, tempestades e correntes fortes podem tornar muitas atividades marinhas difíceis e perigosas. Ondas altas e tempestades podem causar inundações costeiras. Ciclones tropicais e fenômenos concomitantes podem ser as condições mais perigosas para os marinheiros.
As correntes oceânicas e os ventos transportam e dispersam marés negras, massas de algas nocivas e outros poluentes marinhos, só recentemente com o desastre ambiental que afetou a costa brasileira e muitas praias sergipanas foi que algumas pessoas ficaram sensíveis sobre a importância de nosso Oceano Atlântico. Registro que precisamos ficar alertas para outras possibilidades de desastres que podem ocorrer em nosso litoral.
Aqui em Sergipe temos pessoas que trabalham em operações offshore de exploração e extração de petróleo e gás e que precisam de previsões altamente especializadas do clima e do estado do mar.
As mudanças na temperatura do oceano podem influenciar o ecossistema marinho, do plâncton à pesca, e no clima, portanto é importante buscarmos informações no Programa de Meteorologia e Oceanografia Marinhas, onde podemos coletar dados, informações e serviços globais para todos os usuários do setor marítimo.
O fato é que assim que o homem começou a viajar de barco pelo mar, ele alertou sobre os perigos decorrentes das condições desfavoráveis do oceano e do clima marítimo. Então o meu reforço para que a sociedade busque sempre atuar de forma a proteger os nossos oceanos.


