Entra ano, sai ano, os números não dão trégua aos brasileiros. Mesmo quando se apresentam sob o presságio de uma boa notícia, os dados da economia nacional escondem algo de perversidade.
Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou um levantamento que, sem outras considerações, deveria ser festejado. A ocupação no mercado de trabalho apresentou leve melhora no trimestre encerrado em outubro. A população ocupada somou 94,0 milhões de pessoas, com o crescimento de 3,6% ou 3,3 milhões de pessoas, ante o trimestre anterior. Há uma vírgula, no entanto: A queda no rendimento real habitual é de 4,6% frente ao mesmo período.
Os brasileiros estão mais pobres. Ao contrário dos rendimentos e do potencial de consumo da população, a informalidade cresce. Mesmo com o aumento de 4,1% no número de empregados com carteira de trabalho no setor privado, se comparado ao trimestre anterior, a taxa de informalidade ficou em 40,7% da população ocupada, ou 38,2 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, registrou 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020, 38,4%.
Eis o círculo vicioso responsável pela aguda depressão da economia verde e amarela ao longo de 2021. Inflação, desemprego, juros altos, dólar alto, população endividada, crédito escasso. A impressão é de um looping malfazejo. São tantos os dados negativos que fica difícil virar a página e acreditar sinceramente em um futuro melhor, torcer por uma reação positiva do mercado de trabalho, botar fé em 2022.
Queda nos salários


