Apresentarei neste artigo algumas informações que constam no Relatório Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2024, na perspectiva de divulgação de informações relevantes do futuro da economia mundial.
O relatório é um documento de 94 páginas e relembra de forma assertiva nas páginas iniciais que este ano marca o 80º aniversário da criação do FMI. Na visão da entidade internacional, trata-se de um momento oportuno para mirar tanto o passado como o futuro, com o intuito de reconhecer a notável resiliência da economia mundial após os sucessivos choques dos últimos anos, mas também de discutir como o FMI e os países membros podem aproveitar essa resiliência para ampliar a prosperidade compartilhada. Neste sentido o relatório é apresentado com o seguinte título: “Resiliência Diante da Mudança”.
Na apresentação do relatório são apresentados dois desafios, a saber: o primeiro – proteger a estabilidade macroeconômica de novos choques geopolíticos, de ajustes fiscais disruptivos e da tarefa de trazer a inflação de volta às metas. Pois segundo o FMI, as populações que continuam a conviver com o legado de crises sucessivas necessitarão de assistência constante, assim como os países de baixa renda que sofreram as maiores sequelas; o segundo é aproveitar a resiliência da economia mundial para enfrentar e adotar desdobramentos transformadores que exigem uma ação coletiva: destacando-se as mudanças climáticas, a digitalização e a revolução da inteligência artificial. Para o FMI, essas transformações exigirão cooperação multilateral para mitigar os riscos e maximizar as oportunidades.
Da mensagem da Diretora Geral do FMI, Kristalina Georgieva, destaco o seguinte trecho: “A complexa conjuntura mundial torna esse trabalho particularmente vital. No início deste ano, tive a honra de ser convidada pela Diretoria Executiva para cumprir um segundo mandato como Diretora-Geral. Ao aceitar, disse que estava determinada a assegurar que o FMI fosse ainda mais inclusivo, eficaz e sensível às necessidades dos países membros, e continuasse dedicado a ajudá-los a fazer face aos desafios que enfrentam. É com toda a convicção que, mais uma vez, me comprometo com essa tarefa.”
A fala acima da Diretora Geral é inspiradora e pode ser um guia para que os países membros busquem internamente em seus territórios, ações que viabilizem a superação dos desafios apontados.
O FMI tem a sua sede na cidade de Washington – Estados Unidos e escritórios regionais em todo o mundo para promover o seu alcance global e estreitar os laços com os países membros. A entidade internacional tem três funções básicas: supervisão econômica (prestar assessoria aos países membros sobre a adoção de políticas para alcançar a estabilidade macroeconômica, acelerar o crescimento econômico e aliviar a pobreza); concessão de empréstimos (disponibilizar financiamento aos países membros para ajudá-los a resolver problemas do balanço de pagamentos, como a escassez de divisas que ocorre quando os pagamentos externos superam as receitas em moeda estrangeira); e desenvolvimento das capacidades (apoiar o desenvolvimento das capacidades por meio da assistência técnica e formação, quando solicitado, para ajudar os países membros a fortalecer as suas instituições econômicas para formular e implementar políticas econômicas sólidas).
Nestas três funções os países membros devem buscar maximizar o seu vínculo visando um adequado controle da inflação e um consistente crescimento econômico.
Do ponto de vista de sumário, o relatório do FMI de 2024 está dividido em três partes, a saber; Parte I – EM FOCO – Apresentando os seguintes capítulos: Sustentar a recuperação (Após anos de sucessivos choques, como as economias podem se tornar mais resistentes a futuras perturbações?) Um FMI para o Futuro (O que o FMI tem feito para atender às necessidades atuais e futuras dos países membros?)Uma revisão dos empréstimos e da dívida (Como o FMI está adaptando os seus empréstimos e ajustando a sua abordagem da dívida para torná-los o mais eficazes e adequados possível?) Grande incerteza e o desconhecido (Que medidas podem ajudar a nos prepararmos para as forças transformadoras que estão surgindo?); PARTE II – O QUE FAZEMOS e PARTE III – QUEM SOMOS.
Destaco que na composição da Diretoria Executiva do FMI, temos um brasileiro, trata-se do Economista Afonso S. Bevilaqua.
Do ponto de vista de cenário, o relatório do FMI aponta que as prioridades em termos de políticas são reconstruir as reservas, reanimar o crescimento de médio prazo e zelar para que as políticas do FMI, as suas ferramentas de empréstimo e a sua governança sejam apropriadas para um mundo em transformação. Uma notícia animadora é a de que a inflação mundial deve recuar de forma constante, com as economias avançadas voltando às suas metas de inflação mais cedo do que as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. Porém, a entidade alerta que a plena restauração da estabilidade de preços ainda não está garantida e os bancos centrais terão de equilibrar cuidadosamente o risco de uma flexibilização prematura com o de uma demora excessiva. A dinâmica variável da inflação exige abordagens específicas para cada país. É neste quesito que entendo que o Brasil deve pontuar a sua atuação de não perder o equilíbrio de uma inflação que atualmente está no patamar de 4,24% (últimos 12 meses).
Um alerta trazido é o de que o crescimento de médio prazo deve permanecer baixo e de acordo com as projeções do FMI, o crescimento mundial deve ser de 3,1% em 2029 – uma das menores previsões quinquenais em décadas.
Este é meu principal ponto de atenção para que o Brasil consiga perceber esta sinalização e permaneça na sua trajetória evolutiva que do ponto de vista macroeconômico, cuja nossa atual situação é a seguinte: temos uma Taxa de Juros (Selic) em 10,75%; uma taxa de desocupação de 6,9% e um PIB com crescimento de 2,5% no acumulado dos 4 últimos trimestres. Por isso que julgo importante conhecermos este relatório anual do FMI.


